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O Papa Leão XIV votou por correspondência nas eleições intercalares dos Estados Unidos, confirmou esta sexta-feira o Vaticano. O anúncio faz do pontífice o primeiro líder da Igreja Católica de que há registo a participar numa eleição democrática secular.
A informação foi divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, que explicou que o Papa, cidadão norte-americano, exerceu o seu direito de voto e enviou o boletim por correio para Chicago, no estado de Illinois, onde se encontra registado como eleitor. O Vaticano não revelou o sentido do voto.
“O Santo Padre manifesta a sua convicção quanto ao direito e ao dever dos cidadãos de participarem nos processos democráticos”, declarou o Vaticano.
Uma estreia histórica
Leão XIV, nascido Robert Francis Prevost em Chicago, é o primeiro papa norte-americano da história. A sua participação nas eleições de 3 de novembro é considerada inédita por especialistas em história do papado, que não conhecem registos de outro pontífice a votar numa eleição civil.
A decisão ganha ainda maior relevância pelo facto de o Vaticano a ter tornado pública. Historicamente, os papas mantinham-se à margem das eleições nacionais, e, antes de João Paulo II, os pontífices italianos estavam mesmo impedidos de votar em Itália desde 1874.
Participação cívica
Segundo a imprensa internacional, o pedido de voto antecipado foi feito a 3 de outubro junto das autoridades eleitorais de Illinois. O boletim foi enviado por correio, embora, na altura da confirmação, o cartório eleitoral de Chicago ainda não o tivesse recebido.
O Papa terá também afirmado que votou sempre que foi elegível, incluindo durante os anos em que viveu no Peru, onde exerceu funções eclesiásticas durante décadas.
As eleições intercalares, marcadas para 3 de novembro, vão decidir a composição do Congresso dos Estados Unidos e poderão alterar o equilíbrio político em Washington. A participação de Leão XIV, ainda que sem indicação de preferência partidária, surge como um gesto simbólico de defesa da participação democrática.
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