Oito anos depois, o galo Martín continua à porta do hospital onde o dono morreu

AF!

O galo que não quis ir embora

Há cerca de oito anos, um galo chamado Martín tornou-se presença fixa à entrada do Instituto Oncológico do Oriente Boliviano, em Santa Cruz de la Sierra. Chegou acompanhando o dono, um doente oncológico que não pôde levá-lo para dentro do hospital. Quando o homem morreu, Martín ficou do lado de fora — e nunca mais abandonou o local.

A história começou quando o animal acompanhou o seu dono numa camioneta até à unidade de saúde. Como os animais não eram autorizados a entrar, Martín esperou no exterior. Depois da morte do homem, permaneceu nos arredores do hospital, transformando uma espera momentânea numa vigília que já dura quase uma década.

Uma presença reconhecida

Hoje, Martín é conhecido por funcionários, doentes, familiares e comerciantes da zona. Circula pela entrada do instituto durante o dia e procura abrigo nas árvores à noite ou quando chove. A sua plumagem escura, com tons dourados nas costas, torna-o facilmente reconhecível.

A comunidade assumiu o cuidado com o galo. Pacientes, trabalhadores e moradores garantem-lhe comida e água, e há quem lhe corte as esporas para evitar ferimentos. A pipoca é, segundo relatos locais, uma das suas preferências.

Já houve tentativas de alguém o levar embora, mas frequentadores e funcionários do hospital impediram. Para muitos, Martín deixou de ser um animal de rua e passou a ser parte da rotina — e da identidade — do Instituto Oncológico.

O “Hachiko boliviano”

Nas redes sociais, Martín passou a ser chamado de “Hachiko boliviano”, numa referência ao cão Akita japonês que continuou a esperar pelo dono numa estação de comboios de Tóquio durante cerca de nove anos após a morte deste, em 1925. A comparação ajudou a espalhar a história de Martín para além de Santa Cruz.

Ainda assim, a biologia impõe cautela à metáfora. Não é possível afirmar que Martín compreenda a morte do dono ou que “espere” por ele no sentido humano. O que se sabe é que permanece no território onde perdeu a pessoa com quem vivia, encontra alimento, abrigo e afeto, e resiste a todas as tentativas de o afastar.

Oito anos depois, Martín continua à porta do hospital. Não se sabe se espera, se recorda ou apenas escolheu aquele lugar como seu. Mas, para quem passa diariamente pelo Instituto Oncológico, a sua presença tornou-se um pequeno e persistente lembrete de lealdade.

Como está hoje

O galo desce de uma árvore próxima por volta das 6h da manhã e passa o dia junto à entrada do hospital e aos postos de comida da zona, onde recebe alimento de funcionários, doentes e moradores. À noite, ou quando chove, sobe novamente à árvore para se abrigar.

Um homem chamado Juan Claros cuida dele diariamente, incluindo a alimentação e o corte das garras, com ajuda de visitantes do hospital. A assistente social Rosmery Guardia confirmou que Martín chegou há oito anos com um paciente que acabou por falecer e que, desde então, permanece no exterior da unidade.

Atenção à formulação

A notícia não afirma que Martín “espera” conscientemente pelo dono; essa é uma interpretação afetiva popular. O que está confirmado é que o galo está vivo, continua a frequentar o hospital e é cuidado pela comunidade há cerca de oito anos.


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