Ordem invertida poderá ter sido decisiva no acidente de Toledo

AF!

A colisão entre dois comboios de alta velocidade na província de Toledo, que causou dezenas de mortos, poderá ter sido evitada se o centro de controlo tivesse autorizado primeiro a retoma da marcha do comboio que seguia à frente e só depois libertado o que circulava atrás. A cronologia agora conhecida aponta para uma sequência de decisões que deixou o AVE da Renfe a avançar numa linha onde o Iryo permanecia imobilizado.

Conforme as gravações divulgadas, às 8h36 o centro de controlo de Atocha autorizou o maquinista do AVE, que se encontrava atrás, a retomar a marcha normal. Contudo, o protocolo previsto após a falha do sistema de sinalização exigia “marcha à vista”, com velocidade limitada a 40 quilómetros por hora.

Só às 8h41 foi dada autorização ao Iryo, o comboio que seguia à frente. Cinco minutos depois, a maquinista comunicou que não conseguia pôr a composição em movimento e que esta continuava parada na via. Não há registo de que o AVE tenha sido então avisado para abrandar ou parar. Às 8h53, abalroou a traseira do Iryo, após percorrer cerca de 25 quilómetros.

Uma cadeia de falhas

A inversão da ordem de partida não explica, por si só, a tragédia. A investigação concentra-se numa cadeia de falhas: a avaria informática que paralisou a sinalização, a autorização dada ao comboio de trás para avançar em “marcha normal”, a ausência de uma ordem de paragem após o alerta do Iryo e a manutenção de uma velocidade elevada até ao momento do impacto.

Se o Iryo tivesse arrancado primeiro e o centro de controlo confirmasse que a via à frente estava livre, o AVE poderia ter sido autorizado a avançar com maior margem de segurança. Em vez disso, o comboio da frente permaneceu imobilizado, enquanto o de trás recebia luz verde para prosseguir.

Investigação em curso

As autoridades sublinham que ainda não existem conclusões definitivas. O ministro dos Transportes espanhol considerou, no entanto, que o AVE não deveria ter retomado a circulação naquelas condições, e a investigação procura determinar porque falharam as várias barreiras de segurança que deveriam ter impedido a colisão.

O acidente, ocorrido na linha de alta velocidade Madrid–Sevilha, perto de Urda, deixou pelo menos 69 mortos e renovou o debate sobre a resiliência dos sistemas ferroviários europeus face a falhas técnicas e a erros humanos.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.