Malheiro fala em “potencial embuste político que deixa o PSD-M refém de pessoas do CDS” e admite entregar o cartão de militante

Malheiro C
“Se são precisos 5 deputados, nos termos regimentais, para formalizar uma candidatura a presidente da Assembleia e o CDS-M (que perdeu 4 deputados, mais de 9 mil votos, ficou reduzido a 5%, etc, etc) apenas tem 3 deputados, quem vai fazer isso?”

Luís Filipe Malheiro, comentador político, militante social democrata, tem o cartão com o número 101 na Região. Escreveu hoje no seu blog “Ultraperiferias” e o título é esclarecedor: “Se não gostarekm de ler, sugiram que entrego o cartão”. Uma direta a quem tem o poder no PSD-Madeira num contexto das negociações para a formação do Governo Regional para os quatro anos 2019-2023.

Malheiro diz que se há coisas que não faz é calar-se por imposição. Põe nomes à parte porque afirma respeitar “as naturais ambições de quem anda na política independentemente das motivações e dos interesses pessoais subjacentes a determinadas reivindicações”. Fala de um “potencial embuste político que deixa o PSD-M refém de pessoas do CDS-M durante 4 anos – não do CDS-M e da sua estrutura institucional que pouco ou nada pode fazer, depois de ter aceite uma estranhíssima nomenclatura para o partido local e que se constata agora ter sido imposta com claras intenções subjacentes e que agora descortinamos. Tudo disfarçado por uma treta de um acordo que não garante estabilidade política coisa nenhuma. Há mais assanhados prontos a saltar para a arena com os dentes bem à vista, sedentos de vingança!”

Luís Filipe Malheiro salvaguarda: aviso desde logo: se não gostarem do que escrevo, podem resolver fácil e rapidamente o assunto: sugiram que entrego imediatamente o meu cartão de militante do PSD, que data de 1974, quando ainda terminava o antigo Liceu e não havia a ânsia de sobrevivência no poder ou de finalmente chegar ao poder. Os desafios eram outros. Isto se entretanto não o fizer por “motu próprio”.

“Direi apenas que este desfecho foi negociado entre 2 pessoas – se o PS-M precisasse do CDS para ganhar o poder. Desconheço quais foram as contrapartidas. Só sei que PS e CDS locais foram mantidos à margem de tudo, na medida em que tudo dependia dos resultados eleitorais…”

Algumas ideias ou dúvidas que abordarei:

1 – Esta palhaçada foi negociada antes das eleições por JMR e Cafofo, que mantiveram o PS-M e o CDS-M desinformados de tudo, concretamente foi um entendimento abordado há quatro meses, depois das europeias, e selado durante uma festa religiosa em que os dois foram convidados de honra?

2- Há uma troca de favores subjacentes a tudo isto ou há um “pagamento” prometido por favores pessoais que concedidos no âmbito de outras funções e noutras instituições? E que ramificações tudo isto tem com o mundo privado incluindo com operações de financiamento partidário?

3 – Se os deputados votam por voto secreto, nos termos regimentais, então porque razão fazem estes acordos prévios transformando os deputados em potenciais palhaços? Como é que se admite, sabendo o PSD-M e CDS-M de tudo isto, que eles assinem um acordo – pelo que li – através do qual o PSD-M garante ao CDS-M uma vice-presidência do parlamento (o CDS-M perdeu esse direito ao eleger 3 deputados)? Que raio de palhaçada é esta? Querem fazer as pessoas de idiotas ou passar-lhes um atestado de menoridade?

4 – Se são precisos 5 deputados, nos termos regimentais, para formalizar uma candidatura a presidente da Assembleia e o CDS-M (que perdeu 4 deputados, mais de 9 mil votos, ficou reduzido a 5%, etc, etc) apenas tem 3 deputados, quem vai fazer isso? Porque não vai JMR pedir as assinaturas do PS-M?

5 – Se alegadamente existe a ameaça de passagem a “independente” de alguém do CDS, e que inclusivamente teria garantido que se não fosse candidato à presidência do parlamento, se “vendia” ao PS-M – desculpem a frontalidade, mas é isso tem sido dito nos bastidores e será isso que vai ser usado como única explicação para que o PSD-M aceite se ridicularizado desta forma – então arrisquem e façam, com que isso aconteça. Logo veremos o povo se se vai revoltar ou não e qual o futuro do CDS. Deviam ter feito já antes destas eleições de domingo e logo veríamos…

6 – O PS-M só por incompetência e por burrice é que neste quadro não apresenta candidato próprio ao parlamento. Eu se fosse dirigente socialista dava isso por adquirido. Sei – não vou discutir como sei – que PCP e JPP não votam no candidato JMR. Desconheço se o PS-M – agastado por alegadamente não lhes ter sido feito o frete político e parlamentar prometido e negociado – votará na personagem, porque acho que entre os socialistas, mesmo que a fome de poder seja evidente, haverá ainda um rasgo de dignidade e de ética – mesmo que na política isso conte cada vez menos. Por isso isto promete.

7 – Finalmente, lembram-se do que se passou na Assembleia da República, em 2011 – maioria PSD de Passos e CDS de Portas – quando a eleição de Fernando Nobre, presidente da AMI e deputado do PSD sugerida – primeira grande asneirada do tipo – foi derrotada após duas tentativas surgindo então Assunção Esteves como alternativa? O CDS nem fez estas palhaçadas. Eu sei, a política, concorde-se ou não com o que fizeram, ainda tem senhores.

8- Repito, não me interessam as pessoas – todas elas têm direito a ambicionarem o que acham que é melhor para elas que ninguém tem nada a ver com isso. Tenho medo, isso sim, das pessoas hipócritas que dizem que andam na vida sem objectivos, sem ambições. Nem falo sequer da capacidade das pessoas para exercerem cargos e funções, porque nem é isso que está em causa, nem poderia ser suscitado sequer neste caso em concreto. Falo apenas e só de política pura e dura, do principal órgão da autonomia regional – pelos vistos será protagonista der uma história pouco dignificante se o caos se instalar no processo eleitoral – que todos reconhecemos que não dá nem tira votos, é puramente emblemático o lugar, falo de uma triste ideia que se passa para a opinião pública – há que controlar estes danos rapidamente – de que em nome da sobrevivência no poder, tudo vale.

9 – Com algum humor, mas que na realidade esconde uma “fúria” interior, direi que ainda bem que resolveram fazer negociações rapidamente mesmo sem darem cavaco às bases – o processo é todo ele ao nível das elites dirigentes – porque por este andar a esta hora nem Miguel Albuquerque porventura saberia se seria candidato a Presidente do Governo no quadro desse acordo politico misterioso e das jogadas de bastidores que todos conhecem, mas todos garantem que “nada sabem”…  (LFM)


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