Câmara de Santa Cruz classifica reportagem da TVI sobre ajustes diretos a sociedade de advogados como “jogo sujo”

FILIPE SOUSA
Filipe Sousa justifica: “O contrato com esta sociedade de advogados permitiu ao município de Santa Cruz recuperar o seu poder de investimento, a sua credibilidade e denunciar as falcatruas cometidas por quem nos antecedeu na gestão desta autarquia”.

A reportagem da TVI, no programa dirigido pela jornalista Alexandra Borges, dando conta de uma investigação em curso, por parte do Tribunal de Contas, sobre os valores dispensados pela Câmara de Santa Cruz, do partido Juntos pelo Povo, em “ajustes diretos milionários a uma sociedade de advogados de um membro do partido”, cerca 1 milhão de euros, 27 mil euros a cada habitante do concelho, está a dar que falar. E a Autarquia gerida por Filipe Sousa já reagiu.

A Câmara emitiu uma nota onde vem “repudiar a desonestidade, o caráter vil, e a encomenda premeditada que ditaram e orientaram a peça transmitida pela TVI. Repudia-se o timing da mesma, e a forma desonesta e pouco ética que orientou um trabalho que não honra o jornalismo, a verdade, nem a ética que devia orientar qualquer ato humano, no qual se inclui a informação e a política”.

Refere a Autarquia que se “fez notícia de um contrato absolutamente transparente, aprovado em reunião de câmara, e que trouxe amplos benefícios para no concelho de Santa Cruz. Além disso, fez-se notícia de um recurso perfeitamente legal, praticado por todas as câmaras e por todos os governos. E tudo isto na ânsia de tirar dividendos políticos, sendo de lamentar que um canal de televisão e dois jornalistas se deixem enredar sem questionar, fazendo o jogo sujo de quem atua na sombra”.

Aponta Filipe Sousa que “este jogo sujo tem apenas por objetivo fins eleitorais e pretende fazer esquecer e mesmo esconder a verdade dos factos”. É para essa verdade que o autarca diz responder com exemplos

– O contrato com esta sociedade de advogados permitiu ao município de Santa Cruz recuperar o seu poder de investimento, a sua credibilidade e denunciar as falcatruas cometidas por quem nos antecedeu na gestão desta autarquia. A ver:

  • O prazo médio de pagamento para com os fornecedores que eram de 1.049 dias, hoje é de 15 dias.
  • Não temos dívidas para com os fornecedores que no passado ultrapassava mais de € 30 milhões de euros.
  • A capacidade de investimento e de endividamento é de €16.000.000,00 e no passado eram negativos em € 13.000.000,00.
  • Mantivemos os impostos no mínimo legal o que permitiu deixar no bolso de cada munícipe de Santa Cruz importantes valores financeiros que representaram uma poupança total superior a € 19 milhões de euros.

– O contrato com esta sociedade de advogados permitiu nomeadamente investir no social, com medidas que aqueles que nos apontam agora o dedo e tentam denegrir o nosso trabalho nunca tomaram:

  • Reabilitação de Imóveis – 67 famílias – € 456.187,00.
  • Fundo Social de Emergência – Ajudas Pontuais – € 500.000,00.
  • Bolsas de Estudo – 849 alunos – € 1.068.000,00.
  • Manuais Escolares – 3.600 alunos – € 302.638,00.
  • Atividades Tempos Livres – 648 crianças – € 77.600,00.
  • Ajudas Técnicas – € 30.000,00.
  • Pequenas cirurgias – 23 pessoas – € 53.000,00
  • Medicamentos gratuitos – 350 famílias-€ 250.000,00.
  • Apoio ao associativismo: cultural, desportivo e recreativo e exames médicos, desde 2017 – € 350.000,00
  • Apoio ao setor agrícola – € 50.000,00
  • Devolução de IRS e IRS Familiar – € 813.600,00

A Câmara de Filipe Sousa considera que “a mentira tem perna curta e o povo já não embarca nestas jogadas de baixo nível. E sobretudo o povo tem memória dos tempos em que os contratos com advogados eram feitos por telefone a amigos e militantes do partido que governa esta terra durante mais de trinta anos”.

Ouvido no âmbito da reportagem, Filipe Sousa disse mesmo que “se for preciso gasta mais um milhão”, alegando que essa verba funcionou a favor da recuperação de milhões para a Autarquia e lembrou que a Câmara trabalha com essa sociedade de advogados desde 2014.

A TVI diz que Filipe Sousa fez “contratos atrás de contratos” e revela que o sócio da sociedade é Bruno Pereira, membro do JPP. “Se for necessário fazer mais sete contratos com essa sociedade, vou fazê-lo, Todos os procedimentos que esta Autarquia assumiu por ajuste diretos estão justificados”.