Barreto diz que faltam investimentos na RAM para evitar o desperdício de água

O dirigente do CDS-PP Madeira, Rui Barreto, considerou hoje “um eufemismo” falar da “falta de água” na Região quando, na sua perspectiva, o verdadeiro problema está na “falta de investimentos” para evitar o desperdício e criar as condições necessárias para a captação e o armazenamento.
Rui Barreto levou a comunicação social até ao sítio do Covão, freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, para mostrar aos jornalistas os reservatórios vazios. A situação, declarou, está a alarmar os agricultores que temem o pior para as suas culturas devido à falta de água para regadio. O giro de água, que habitualmente irrigava os terrenos de 18 em 18 dias, é agora de 35 em 35 dias, disse.
“O CDS tem falado muitas vezes deste recurso”, começou por referir Rui Barreto. “Este é um recurso muito abundante na nossa terra, mas há demasiado desperdício. A comunidade científica tem chamado particularmente atenção, nos últimos anos, para a valorização da água, que é um bem escasso no mundo. E por isso é nossa obrigação termos capacidade para reservar a água para os diferentes fins, para o consumo e o regadio”, salientou.
O CDS aponta que a falta de água de rega é tema recorrente na época de verão, criando dificuldades aos agricultores. O líder do CDS entende que a Região tem condições para evitar estas rupturas e dá exemplos claros da falta de uma estratégia regional para a água: “Há poucos dias estivemos no Seixal, na Praia da Lage, onde, por exemplo, há descargas contínuas de água para o mar na ordem dos 400 litros por segundo, temos lagoas que não têm água, canais de água onde todos os dias há grande desperdício e a própria Águas e Resíduos da Madeira perde 60% da água que é captada para distribuir. Há municípios onde 70% da água adquirida é desperdiçada.”
Rui Barreto apontou para aquele que, em sua opinião, é o problema central. “Tem de haver investimento na água, nos canais de rega e nos reservatórios. Se temos tanta água, não é possível que falte água para a agricultura. Estamos aqui no Covão, numa paisagem absolutamente magnífica (os vinhedos do Estreito), humanizada, que temos de preservar. Não pode, numa terra como a nossa, haver falta de água quando ela é abundante. Há falta de água porque não tem havido investimentos na água, nos canais e nos reservatórios e assim se perde um bem que é importante para a economia, para os agricultores e para manter esta nossa paisagem. O compromisso do CDS é que vamos investir na água, vamos investir para acabar com o desperdício.”