O PS-M deu entrada, na Assembleia Legislativa da Madeira, com um voto de saudação pelo Dia Internacional da Saúde da Mulher, que se assinala a 28 de Maio, aproveitando para alertar para a necessária consciencialização pública para os problemas de saúde, as condições de vida e as desigualdades que continuam a afectar as mulheres.
O voto será discutido amanhã, véspera desta efeméride e, curiosamente, dois dias depois de se assinalar o Dia Internacional da Tiroide, cujas patologias afectam as mulheres entre cinco a oito vezes mais do que os homens. Neste campo, a Madeira apresenta, historicamente, uma incidência e vulnerabilidade mais acentuadas, relacionadas com a carência crónica de iodo na população, o que resulta num grave problema de saúde pública.
Marta Freitas, proponente do voto, entende que o Dia Internacional da Saúde da Mulher não deve ser encarado apenas como mais uma efeméride, mas como uma oportunidade para reconhecer as especificidades da saúde feminina e a necessidade de respostas adequadas ao longo de todo o ciclo de vida. Conforme alerta a deputada, a saúde das mulheres não se esgota nas patologias especificamente femininas (por exemplo as questões da saúde sexual e reprodutiva, a menopausa, a depressão pós-parto e a endometriose), sendo que a evidência nacional, europeia e regional mostra que as desigualdades em saúde resultam também de factores biológicos, sociais, económicos, territoriais e institucionais, que condicionam a prevenção, o acesso aos cuidados, o diagnóstico, o tratamento e os resultados em saúde.
De acordo com os dados referentes a 2023, dos 2.791 óbitos registados na Região, 1.422 foram de mulheres. As estatísticas mostram que as doenças cerebrovasculares vitimaram 111 mulheres e 76 homens e que as doenças endócrinas e metabólicas levaram à morte de 96 mulheres e 53 homens. Por outro lado, no que se refere às doenças respiratórias, causaram a morte de 219 mulheres e 203 homens. Já os óbitos por transtornos mentais e comportamentais foram, em quase dois terços, de elementos do sexo feminino.
Os dados regionais confirmam o que os relatórios nacionais e internacionais já evidenciavam, ou seja, que as mulheres vivem mais anos, mas passam mais tempo com doenças crónicas, limitações funcionais e menor qualidade de vida. Como tal, alerta a deputada socialista, é importante que a saúde das mulheres não seja olhada apenas com o foco nas áreas tradicionais (ginecologia, obstetrícia, saúde sexual e reprodutiva), mas tendo também em atenção a saúde cardiovascular, cerebrovascular, respiratória, metabólica e mental, sem descurar questões como o envelhecimento, a doença crónica, a solidão, a pobreza ou as desigualdades territoriais no acesso aos serviços.
“A saúde das mulheres é uma questão de saúde pública, de igualdade, de justiça social”, diz Marta Freitas, alertando que os dados mostram que viver mais não significa, necessariamente, viver melhor, e que as mulheres madeirenses, em especial as mais idosas e as que se encontram em situação de maior vulnerabilidade, enfrentam riscos acrescidos que devem ser reconhecidos, estudados e considerados na definição das prioridades de saúde da Região.
Como adianta, na Região, as mulheres vivem em média 82 anos, mais seis anos do que os homens. Porém, remata, viver mais anos deve significar viver com mais saúde, mais autonomia e mais dignidade.





