Selvagens: Militares e militarizados da Marinha aumentam rampa e constroem abrigo para a embarcação

untitled-5.jpg
O novo abrigo para a lancha assumirá esta forma, frente à casa do Parque Natural, na qual será construído mais um piso.

Rui Marote

O capitão-de-mar-e-guerra Félix Marques, capitão do Porto do Funchal e comandante local da Polícia Marítima, esclareceu ao Funchal Notícias que o regresso da embarcação Barracuda ao Funchal, que noticiámos com alguma estranheza, estava previsto, uma vez que as condições de mar nesta época do ano não oferecem segurança. As Selvagens não têm, por enquanto, condições de abrigo para uma embarcação avaliada em duzentos mil euros.

Mas as circunstâncias estão prestes a mudar.

Os militares da Marinha, num curto espaço de tempo, já efectuaram uma série de obras na Selvagem Grande. Enumeremo-las: instalação de um radar que cobre até 24 milhas; substituição dos painéis solares por outros de maior capacidade; instalação de uma pequena estação dessalinizadora com capacidade de 40 litros; realização de obras na casa dos Vigilantes da Natureza. Transportaram mesmo cerca de 40 toneladas de material, material esse que inclui um gerador pesando 500 Kg.

Vista vertical do plano do novo abrigo para a lancha, assinalado a encarnado
Vista vertical do plano do novo abrigo para a lancha, assinalado a encarnado

Até ao final de Outubro, chegará à Madeira um barco transportando materiais para o aumento da rampa de varagem existente na Selvagem Grande, e para a edificação de um abrigo para a embarcação da Polícia Marítima. A instalação de um sistema motorizado para içar a embarcação para terra é um ponto fundamental para garantir, no futuro, a segurança da embarcação. O aumento da rampa, a instalação do sistema para içar e a construção do abrigo são actividades que serão executadas no período de meados de Outubro a meados de Dezembro, a efectuar por militares e militarizados da Marinha, que estão a prestar serviços na Direcção de Faróis e na Capitania do Porto do Funchal.

No curto período de tempo em que a embarcação Barracuda esteve nas Selvagens, fiscalizou cerca de 40 embarcações de pesca, atuneiros e iates. Cerca de seis vezes, esteve na Selvagem Pequena e no ilhéu.

lancha-policia-maritima-016.jpg.jpeg

Félix Marques deixa bem claro que a vinda da Barracuda para o Funchal estava planeada e adianta que logo que as condições de segurança estejam finalizadas, a mesma regressará às Selvagens. No sentido de esclarecer isto, publicamos duas imagens ilustrativas do que será feito para manter em segurança a embarcação da Polícia Marítima perante as condições de mar por vezes difíceis e adversas daquelas paragens.

Uma imagem é um croqui da zona da rampa e da casa dos Vigilantes da Natureza. No mesmo está assinalado a vermelho o aumento que será feito, criando uma zona de protecção para o barco, frente à casa. A outra imagem representa de forma bastante esclarecedora a forma que terá o abrigo para o barco, que terá ainda, do lado do mar, uma parede tipo muralha, a qual será revestida com pedra da ilha e que protegerá o barco das investidas das águas nas tempestades. Também o telhado está pensado com um telhado para escorrer facilmente as águas.

Está previsto, ainda este ano, o aumento da casa dos Vigilantes da Natureza em mais um piso. Toda essa obra está a cargo da Marinha, que irá ocupar esse piso com dois quartos, instalações sanitárias e um escritório, onde ficarão instalados todos os equipamentos, incluindo o radar, libertando o rés-do-chão, podendo o Parque Natural usufruir novamente de todo esse espaço térreo.

tubarão-01.jpg.jpeg
Tubarão, a nova embarcação

A Polícia Marítima tem uma nova embarcação de dez metros de comprimento, de nome Tubarão, e com uma autonomia que lhe permitirá ir até às Selvagens e regressar sem reabastecer. Essa embarcação ficará sediada no Funchal, substituindo a Barracuda, que permanecerá nas Selvagens assim que o abrigo estiver concluído.

screenshot_2016-09-21-02-36-29.png

Imagens da 'Orca' transportando Marcelo Rebelo de Sousa a terra, nas Desertas
Imagens da ‘Orca’ transportando Marcelo Rebelo de Sousa a terra, nas Desertas

O Porto Santo ficará com a Orca, uma boa lancha que estava no Funchal e que transportou o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a terra aquando da sua visita às Desertas. Finalmente, o barco que ostentava a designação Autoridade Marítima, que estava previsto ir para o Porto Santo, ficará na Madeira, em substituição da Orca.

O arquipélago da Madeira passa assim a ter meios suficientes para todas estas acções de vigilância e fiscalização, o que é para todos motivo de congratulação.