Um olhar antropológico sobre a colonia na Madeira

No próximo dia 18 de Junho, pelas 19 horas, na Galeria Anjos Teixeira, à Rua João de Deus, nº 12, no Funchal, realizar-se-á uma sessão orientada por Alexandra Nepomuceno que abordará os efeitos da colonia sob o aspecto antropológico.
Esta iniciativa sobre a colonia na Madeira insere-se na programação da Galeria Anjos Teixeira “História com estórias”, dedicada aos 50 Anos da Autonomia. Será difícil, senão impossível, abordar a formação da sociedade madeirense sem mencionar o regime de colonia e os seus efeitos. Mas, ao contrário de toda a lógica, tem-se sucedido um espesso silêncio sobre esta matéria, apesar da colonia ter dominado a economia, em particular, da agricultura da Região durante séculos, refere uma nota.
Como forma de combate a um silêncio que deturpa gravemente toda a identidade regional e a Autonomia, esta sessão orientada por Alexandra Nepomuceno, que abordará os efeitos da colonia sob o aspecto antropológico, reunirá
contributos para a contextualização social e cultural do povo desta Região Autónoma.
Alexandra Nepomuceno é licenciada em Antropologia pela Universidade Nova de Lisboa, foi bolseira da Fundação Gulbenkian e tem variados trabalhos publicados com abordagens da realidade madeirense sob o ponto de vista da
ciência antropológica.
Nesta sua intervenção abordará o regime da colonia não só sob o ponto de vista jurídico, mas, sobretudo sob o ponto de vista da agricultura, bem como os seus efeitos sobre a habitação, ou as relações pessoais e comportamentos daí derivados.
As relações de extrema dependência e até subserviência impostas pela colonia, apenas foram atacadas e destruídas no período recente, posterior a 25 de Abril de 1974.
Neste evento cultural não deixarão de ser abordadas as marcas sociais e culturais da colonia, assim como a conquista da dignidade pelo povo dos campos da Madeira e Porto Santo.
Para além do trabalho com características académicas de Alexandra Nepomuceno, participarão nesta iniciativa outros intervenientes com conhecimento deste tema e, sobretudo, experiência própria e pessoal sobre este regime.
Esta é uma iniciativa aberta a todas as pessoas interessadas no diálogo sobre a construção da memória colectiva na Região Autónoma da Madeira, afirma-se.


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