CDS leva ao Parlamento médico autor de carta viral contra o sistema de saúde regional

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Médico Ricardo Duarte explica-se na Assembleia. Foto in Visão.sapo.pt

O médico Ricardo Duarte, que denunciou o sistema de saúde regional na Net, através de uma carta autobiográfica que rapidamente se tornou viral na comunicação social e redes sociais, vai ser ouvido na Assembleia Legislativa da Madeira. O pedido de audição é da autoria do CDS-PP e, curiosamente, o PSD, que normalmente costuma inviabilizar estas iniciativas, aprovou esta audição.

Recorde-se que, Ricardo Duarte é médico anestesista no Hospital Dr Nélio Mendonça e fez um post crítico no Facebook  ao sistema regional de saúde e ao exercício da medicina num contexto insular caótico, que se tornou viral e contagiou a imprensa continental, tendo ainda merecido uma reação do presidente da Ordem dos Médicos.
O também médico ortopedista e vice-presidente do grupo parlamentar do CDS-PP requereu a audição do colega na Assembleia para dizer de sua justiça e o presidente da quinta comissão de assuntos sociais e saúde deferiu o pedido.
Os populares, que têm vindo a fazer um trabalho intensivo no Parlamento de alerta para os vários problemas da saúde regional consideram pertinente ouvir as posições de Ricardo Duarte. O FN publica a fundamentação do pedido de audição.

“A carta do médico anestesista, Ricardo Duarte, publicada num diário da Região a 1 de janeiro de 2016, afirmando-se “desmotivado” por trabalhar num serviço de saúde “onde tenho de improvisar a toda a hora”, sintetiza, em poucas palavras, a realidade da situação preocupante para onde têm resvalado os cuidados de saúde que são prestados na Região, nos últimos anos.

Como afirma o próprio médico autor da missiva publicada, que nas redes sociais depressa se tornou viral, “só disse o que todos já sabem”. Na verdade, o estado calamitoso em que se tornou o sistema regional de saúde não é uma situação nova, tem sido frequentemente denunciado, é notório que se tem agravado com a saída extemporânea de médicos altamente qualificados, mas também devido a avarias sistemáticas e frequentes dos equipamento, falta medicamentos e de materiais simples mas indispensáveis como luvas e seringas, pelo que é de esperar que o quadro atual venha a deteriora-se ainda mais.

O que deve preocupar todos os que têm responsabilidades na Região é o significado das denúncias para podermos atalhar da sua consistência e, no mais breve espaço de tempo, atacar os problemas. O que não podem fazer as entidades que gerem a saúde pública na Região é simplesmente ignorar, fazer de conta que está tudo bem, não atuar, não ser capaz de apresentar uma solução consistente para resolver os problemas mais urgentes.

O silêncio e a falta de resposta aos problemas é uma desconsideração para com a população da Madeira e Porto Santo, porque sente como ninguém que o sistema tem falhas graves, não oferece segurança e não garante qualidade nos cuidados que presta.

O Grupo Parlamentar do CDS/PP não fica indiferente quando um médico que está ao serviço de um hospital central afirma: “Trabalho num serviço de saúde onde tenho de improvisar a toda a hora porque o fármaco X e Y não há (ups… estamos proibidos de dizer que não há). É um facto. Onde temos vários ventiladores de 30 mil euros avariados (um deles há mais de 1 ano porque ‘ninguém’ pagou a manutenção (…) Vivo numa região em que qualquer dor de dentes, grão no olho ou escaldão na praia vai para a urgência do hospital numa ambulância de emergência médica. E sem pagar um tostão. No hospital em que trabalho existem mais de 100 camas de agudos ocupadas com as chamadas ‘altas problemáticas’ (…) Vivo numa região em que se gastam muitos milhões em fogo de artifício e marinas abandonadas, sem existir contudo dinheiros para um monitor e um ventilador de transporte para a sala de emergência de um hospital dito central.”

Nesta como em todas as situações que são denunciadas, preocupa-nos, especialmente, que não estejam a ser cumpridas as boas práticas médicas e que exista na sociedade madeirense um medo crescente de adoecer porque se receia entrar no hospital. Isto é insustentável para a população de uma região da União Europeia que precisa de assegurar cuidados de saúde de qualidade aos residentes e turistas.

Nesse sentido, o Grupo Parlamentar do CDS-PP Madeira requer, no âmbito das competências estatutárias e regimentais, um pedido de audição parlamentar ao Conselho Regional da Ordem dos Médicos, ao Sindicato Independente dos Médicos, à Federação Nacional dos Médicos e ao médico anestesista Ricardo Duarte para se prenunciarem sobre a grave situação em que se encontra o serviço regional de saúde e o conteúdo da carta pública do médico anestesista”.