Doente espera na urgência quatro horas pela ambulância para regressar a casa

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Não há ambulâncias que chegue para dar resposta a tantas solicitações na urgência?

Na passada sexta-feira, M. levou o marido ao serviço de urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça. Há alguns anos acamado, com uma doença degenerativa, M. acreditava que talvez fosse o fim do marido, dado o estado de inconsciência. Recebeu, da parte do corpo médico e de enfermagem um tratamento “excelente”. Diagnóstico: tratava-se de uma convulsão que foi superada. O problema veio a seguir. Pronta para regressar a casa, com compromissos profissionais adiados, eis que esperou entre as 14 e as 18 horas pela chegada da ambulância para transportar o doente a casa. Já passava das 18 horas quando entrava em casa,na freguesia de São Roque.

M. relatou a ocorrência ao FN na esperança de poder ver o transporte de doentes via ambulância mais célere e eficaz. Na verdade, conta, se a ordem de regresso a casa acontecer a partir das 21 horas, é certo e sabido que o doente ficará no corredor do hospital à espera pela manhã seguinte, enquanto o familiar aguarda toda a noite, sentado numa cadeira da sala de espera, até que venha a guia de marcha.

Após questionar as razões do atraso, M. deparou-se com algumas contradições: o médico remetia para o enfermeiro e este remetia para o médico a ordem de requisição do transporte. Um processo confuso, ante a exaustão e ansiedade de M., ao mesmo tempo que ia cancelando as obrigações profissionais por conta da longa espera pela ambulância.

Fumar à porta da urgência

Neste longo compasso de espera, a nossa interlocutora regista com apreço o desvelo da funcionária que dá informações às famílias na sala de espera, procurando saber sempre o ponto da situação.

Menos positiva ficava ainda a imagem de médicos, enfermeiros e utentes a fumarem, mesmo à porta do serviço de urgência. Uma atitude frequente e permanente que não abona também em favor da instituição e dos seus profissionais. Afinal, a lei permite fumar à porta de um serviço de urgência? Não há um perímetro definido por lei? Questões que assolavam M. e que ficavam sem resposta.

hospitalA ida ao serviço de urgência de M. com o marido foi muito regular no início da doença: quedas, pneumonias, convulsões, bronquiolites, tudo faz parte do historial clínico do marido, tolhido pela doença em idade precoce. Entretanto, M. procurou instalar na sua residência uma espécie de enfermaria com os apetrechos necessários para prestar os primeiros socorros. A corrida às urgências passou a ser cada vez menos frequente.

Na passada sexta feira, julgou que não regressaria a casa com o marido vivo, tal o estado em que se encontrava. Felizmente, tudo foi superado. Mas deixa o alerta às entidades competentes: “Não se justifica tantas horas para um transporte a casa de ambulância. Imagine-se, naqueles dias de grande afluência à urgência, em que os nossos doentes esperam no corredor, em macas, para regressar a casa, às vezes toda a noite, e o serviço está cheio de doentes, como prestar um atendimento adequado a todos? Impossível!”

Fica o alerta. Bem tratado da doença mas impedido de regressar a horas decentes a casa.