Diretor clínico justifica: “Há um acesso ilegal e imoral dos utentes às urgências”

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Eugénio Mendonça lembra que a urgência não é para utentes com cor azul e verde mas laranja.

O Funchal Notícias confrontou o diretor clínico do Hospital Dr Nélio Mendonça com os demorados transportes de doentes por ambulância até às suas residências, tendo por base o caso hoje noticiado neste jornal on line. Eugénio Mendonça confirmou ao FN a realidade e esclarece que a mesma resulta “de um afluxo ilegal e tecnicamente imoral à urgência hospitalar, porque toda a gente pensa que tem esse direito, paga impostos para ser atendida e não há capacidade de resposta dos serviços para tantas solicitações”.

Eugénio Mendonça considera até que o tempo de espera de 4 horas do doente, por uma ambulância, para regressar a casa, é razoável. Em qualquer área do país teria de pagar a ambulância – na Madeira é gratuito – e demoraria certamente mais.

Eugénio Mendonça recorda que os bombeiros há muito que deixaram de transportar doentes e as AMS são ambulâncias de socorro, para intervir em situações de acidentes e doença súbita. O transporte de doentes do hospital para casa é feito por uma empresa que se debate com falta de meios.

Por outro lado, há uma gestão das ambulâncias, por parte do médico de serviço, no sentido de aproveitar o transporte de um doente para uma zona, juntamente com outro que, por exemplo, aguardava o resultado de umas análises e até mora na mesma área. Uma opção que implica demoras mas que o médico apela à compreensão dos cidadãos.

Eugénio Mendonça reitera que o problema fulcral é o facto de tudo ir bater à urgência. “A saúde afunilou de tal ordem que os serviços fazem o que podem. Nós sabemos que os casos não são de urgência mas não podemos mandar os doentes para trás, alguns deles vindo de longe e com evidente falta de recursos. O médico já tem mais um papel mais social do que clínico. Por isso, é preciso que as pessoas tenham também paciência”.

Por fim, o diretor clínico do SESARAM acrescenta ainda que, “com os constrangimentos financeiros do Plano de Assistência Económica e Financeira-PAEF, estas situações de espera tornar-se-ão crónicas”.