Estepilha! O “SIGA” cantado

Rui Marote
Alguns autocarros do SIGA terão, pelos vistos, de recorrer ao antigo “badalo” accionado por uma guita (cordel) que percorria o interior dos horários, ligado a uma campainha que emitia um som característico (recordamos assim para os mais novos como funcionava há anos o toque de paragem).
 
Porquê? Porque as coisas eléctricas pregam partidas… Hoje fomos surpreendidos em Machico pelo facto de o sinal de paragem ter voltado à “sinalética” linguístíca primitiva. Mercê duma avaria, os passageiros, alto e bom som alertavam o motorista: “Por favor parar na próxima paragem!” . Quem entrasse no mini-autocarro desconhecendo essa circunstância e não reparando num cartaz alertando os passageiros da anomalia, estava bem arranjado. O que gerava diálogos curiosos entre passageiros e motorista.
 
O condutor que recebeu o veículo na garagem limita-se porém a conduzir, sendo alheio a esse percalço.
 
Voltámos à época a seguir ao 25 de Abril, quando as companhias de autocarros apresentavam carências
nos autocarros, que estavam então imensamente degradados. Como exemplo, a companhia de Santo António tinha uma verdadeira frota de 3º mundo. Caía a porta, os vidros já não fechavam, viajava-se de guarda chuva porque chovia no interior como na rua, e os bancos não tinham as costas dos assentos. Em contrapartida a Companhia do Monte esmerava-se. Tinha à frente um homem de nome Acúrsio, que todos os dias pela manhã inspecionava os autocarros em circulação. Bastava faltar um parafuso para o autocarro não circular.
Hoje temos o Siga e alguns autocarros começam a enfermar da doença dos autocarros de Santo António… por este andar hoje é a campainha, amanhã será a porta… Estepilha!

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