Rui Marote
O Funchal não escapa a este fenómeno que se reflete em muitos centros urbanos. A “gentrificação” comercial é a falência da comercialização tradicional de uma cidade pela chegada de negócios apontados a um público de maior poder aquisitivo. Lojas históricas, mercearias, tecidos, são substituídos por lojas gourmet e lojas de marcas internacionais e restaurantes exclusivos, expulsando o comércio local devido ao aumento das rendas. Um exemplo flagrante é a Rua Fernão de Ornelas, que deu uma “cambalhota” acrobática que transformou esta artéria, deixando-a praticamente sem vestígios do passado.
Recordamos lojas de sapataria, casas de confecção, mercearias do bacalhau, stand de automóveis Fiat, BMW, Mercedes, ourivesarias, casa fotográficas, a Oliva, a Cayres, o Sino, o Norte e a Baiana. Dizia-nos um comerciante: é a nossa “sina”. Vamos persistindo. Não há continuadores do comércio tradicional, a não ser em muito pequeno número. Antes foram os centros comerciais a criar concorrência feroz ao comércio tradicional: hoje é a própria tecnologia de compras online que já supera os próprios centros comerciais.
Na Fernão de Ornelas dos dias de hoje, o morador local é substituído pelo turismo. Todo esse comércio tradicional, roupas e sapatarias tradicionais, dão lugar a negócios de maior rotatividade e consumo imediato como gelatarias e cafés focadas no turismo. Mas este fenómeno chego já em 2002, com a mudança de escudos para euros.
Na altura funcionava o trespasse. Na história do Funchal, o maior negócio foi Afonso Camacho, instalado no Largo do Chafariz que trespassou o estabelecimento por 80.000 escudos em finais de 2001, o que equivale a 398 mil euros. O aumento dos aluguéis no centro histórico vem sufocar os pequenos comerciantes locais que não conseguem competir com grandes redes.
Na passada quinta-feira encerrou na Rua dos Ferreiros, com vitrinas para a Rua da Queimada de Cima, a antiga casa Biscoito, que em tempos deu lugar à Massimo Dutti feminina; e posteriormente à loja Mike Davis, uma marca portuguesa de moda casual desportiva, fundada em 1976 na Foz do Douro, Porto. O nome é uma homenagem a um tenista galês.
Funchal Noticias desconhece por enquanto o modelo de negócio a instalar. Está na moda “pastel de nata” que tem direito a esplanada numa rua encerrada ao trânsito, ou gelatarias…
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