Em terra também se pesca

pesca irós

Há quem vá ao mar e apanhe peixe graúdo (que o digam as autoridades) e há quem fique em terra à espera que o animal morda o anzol. Parece ser este o caso a que reporta a imagem captada pelo Funchal Notícias, um dia destes, lá pela zona da Ribeira da Ponta do Sol, ao surpreender um local numa pescaria de beira de estrada.

Testemunhas da paciência e da agilidade na arte de manejar a cana, quisemos saber em que tipo de pesca andava o inusitado pescador de calhau seco entretido. Seria peixe, seriam notícias ou estaria então o diligente homem a deitar isco para apanhar gambozinos?

Surpresa das surpresas, o senhor António, emigrante em férias na sua terra natal, estava a tentar apanhar irós (ou eirós), naquela que era uma das brincadeira preferidas dos tempos de infância. E para quê? Para comer, pois. “Basta temperar com sal e pimenta e fritar. São uma delícia!”, atesta.

Ficámos sem saber se o senhor António apanhou algo de jeito naquele dia. Antes de nos despedirmos, porém, garantiu que os irós “andam por aí”. Só no dia anterior, tinham sido três.

Para quem não conhece, o iró (ou eiró) é uma pequena enguia de água doce, possível de encontrar nas nossas ribeiras. Suspeita-se que as obras e as alterações nos cursos naturais de água da ilha tenham levado à diminuição significativa desta espécie aquícola, sendo atualmente mais difícil de encontrar.

Curiosamente, até 1960, a fauna ictiológica das águas interiores da Ilha da Madeira foi representada exclusivamente pela enguia, eiró ou iró (Anguilla anguilla).

Embora pouco frequente na gastronomia madeirense, este acepipe continua a ter alguma expressão junto das populações rurais, sobretudo em algumas regiões do continente português.

iró.eiró