Madeira “infestada” de cartazes e estruturas prejudicando a paisagem

Rui  Marote
Os placares das campanhas eleitorais situados em todos os municípios da Madeira  eternizam-se nas vias públicas, principalmente às entradas e às  saidas das vias rápidas, túneis e rotundas. De acto em acto eleitoral, estas estruturas metálicas e os gigantescos cartazes que suportam literalmente conspurcam a paisagem apropriando-se dos locais como se fossem proprietários desses espaços. A culpa nisto é comum e não há inocentes. A verdade é que, cumprindo-se todavia as regras da democracia, as do bom gosto e da contenção não são cumpridas, principalmente numa região que tem no turismo, e na paisagem, a sua grande mais-valia.
No concelho de Machico à entrada para a via rápida debaixo de um viaduto estão cartazes da ultima campanha eleitoral. Já passaram três meses.

 

Anteriormente, tudo era desmontado durante o tempo de reflexão. Os partidos recolhiam esse material e caso não o fizessem eram as câmaras  que retiravam. Hoje os grandes cartazes ficam tapados, o que nos faz lembrar os santos nas igrejas durante a Semana Santa. É simplesmente feio. Na rotunda  Harvey Foster, à entrada do porto do Funchal, os partidos tem lugares cativos  e  ninguém reclama.
Machico já exibe novo candidato. Em frente estrutura de ferro marca posição aguardando o cartaz

 

Mas não ficamos por aqui: o Porto do Funchal tem as paredes cheias de propaganda, contribuindo para conspurcar a paisagem.
Recordamos que há anos a Câmara  do Funchal reuniu com os partidos para buscar um consenso, limitando uma área de colocação de propaganda política acima da Ponte Nova e proibindo-a no centro do Funchal. A CDU e o Bloco de Esquerda opuseram-se até aos dias de hoje, que o diga Bruno Pereira. Mas todos os partidos são hoje em dia culpados deste mau gosto.
Há cartazes no período pré-eleitoral, na campanha eleitoral e agora  de agradecimento, por parte dos vencedores e até de quem ficou nos lugares seguintes.
Terminamos com uma história verdadeira: no antigo campo de terra do Almirante Reis, na zona velha da cidade, no Verão havia jogos de futebol infantis que levavam nos finais de tarde imensos espectadores.
Logo de manhã havia quem marcasse terreno nas laterais para os jogos à tarde  com duas pedras do calhau  e uma tábua que servia de assento (bancos corridos improvisados).  O “dono” desse espaço na hora dos jogos cobrava 50 centavos (cinco tostões). Era negócio. Era o mestre Feliciano o sapateiro organizador,
ferrenho adepto do “Vasco da Gama”, uma das equipas desses torneios com Belenenses, Alma Lusa, Porto e outras.
Grandes jogadores saíram destes torneios para mais tarde representar o Marítimo, Nacional e União. Hoje isso mudou. O que não muda são as ocupações indevidas do espaço público, com as pessoas apropriando-se do mesmo como sendo um direito, que não passa de abuso e que os municípios permitem, fazendo lembrar aquele dito: “São todos farinha do mesmo saco”. Até quando se permitirá este atentado à paisagem pública? Lembramos que no estrangeiro, por exemplo na Suíça, encontram-se nas cidades áreas bem demarcadas com cartazes apoiando, ou contrariando, projectos ou políticas públicas. Aqui é o salve-se quem puder.

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