Rui Marote
A primeira visita oficial de Cavaco Silva à Madeira como primeiro-ministro foi há 34 anos. E não correu assim tão pacificamente, especialmente para o chefe da segurança, que acabou suturado com quatro pontos.
O programa era intenso, e Alberto João Jardim fazia questão de mostrar ao primeiro-ministro o desenvolvimento da Madeira e os gastos públicos na RAM. Recordo a inauguração da nova ponte na ribeira do Porto Novo.
Cavaco assistiu à inauguração, em que foi descerrada uma placa à entrada da ponte em direcção ao aeroporto, com os dizeres “Inaugurado por Exa. o Presidente do Governo Regional Alberto João Jardim”.
Seguiram-se os discursos e Cavaco perguntou a AJJ qual era o percurso anterior para o aeroporto. Apontando para o vale da ribeira, disse Jardim: “o Sr. Primeiro-Ministro está a ver, lá ao fundo aquela ponte pequena e um estaleiro? Antes era esse percurso!”, esclareceu.
Cavaco Silva de imediato respondeu: “Jardim, mas para onde vais assim com tanta pressa?”, como que a indagar a necessidade de tais obras para chegar mais rápido…
Mas o presidente do Governo Regional não deu parte de fraco e de imediato respondeu: “Ainda falta fazer outra, a da Boaventura em São Pedro, Santa Cruz e assim vamos diminuir ainda mais o tempo para o aeroporto”, exultou.
Porém, mais do que esta troca de impressões nas quais Cavaco parecia duvidar, sarcástico, da necessidade de tais obras, o acontecimento central da visita passou-se na Central da Serra de Água.
Isto quando um operador da RTP-Madeira em rotação (travelling) acidentalmente atingiu com força a testa do chefe de segurança de Cavaco Silva com a bateria da câmara de filmar. Tratava-se de um tenente coronel muito incómodo que por tudo e por nada afastava os jornalistas.
O homem teve de regressar às “boxes”, neste caso ao Centro de Saúde da Ribeira Brava onde foi suturado com quatro pontos.
O dia não ficou por aqui: decorreu um almoço na central, em que não faltou a espetada. Mas Maria Cavaco Silva, ao receber o espeto fez uma cara de enjoada, não aceitando porque a carne estava mal passada e os vestígios de sangue visíveis. E não comeu.
Aqui ficam umas curiosas e irónicas adendas que aos órgãos de informação passaram despercebidas nas notícias oficiais… Memórias de um repórter.
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