Raimundo Quintal contra “ecólogos de alcatifa” quer ver mais trabalho no terreno e menos retórica

Fotos DR/RQ.

O conhecido geógrafo madeirense, Raimundo Quintal,  quer ver menos retórica sobre a defesa do património ambiental da ilha e “mais trabalho no terreno”.

O FN partilha a reflexão de Raimundo Quintal.

“No Egipto continua a Cimeira do Clima das Nações Unidas. Têm sido muitos os discursos carregados de boas intenções, mas faltam as medidas concretas para debelar as causas das alterações climáticas e garantir que a Terra continue a ser o planeta com condições para a sobrevivência da espécie humana.

Por cá multiplicam-se os “workshops”, as “webinars”, os “podcasts”.  São muitos os sábios, os conselheiros, os ecólogos de alcatifa. Escasseiam os que abdicam do ar condicionado, do carro privado, dos convívios bem comidos e bem bebidos dos fins de semana, e manhã cedo sobem à montanha para trabalharem em prol da Natureza e da qualidade de vida das futuras gerações.

A plantação de espécies endémicas e indígenas, com chuva e vento, e o combate às plantas invasoras em dias de sol abrasador, são actividades essenciais para que a Natureza recupere a beleza primitiva, que a água se infiltre, que as cheias repentinas (aluviões) sejam menos mortíferas, que aumente o sequestro do carbono.

As três fotografias que ilustram esta nota são a prova de que só com trabalho persistente no terreno é possível restaurar os ecossistemas. A primeira é de Agosto de 2010 e mostra o estado em que ficou a área do Parque Ecológico do Funchal junto ao Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha após um incêndio de origem criminosa. As outras duas são da mesma área e foram captadas no último sábado (05.11.2022).

As notáveis diferenças resultam de 12 anos de trabalho persistente dos voluntários da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal, da resiliência da Natureza e de não ter havido dinheiro fácil da Europa.”