Entrevista FN: Francisco Oliveira anuncia Congresso do Sindicato dos Professores tendo por tema de fundo o envelhecimento da classe

Francisco Oliveira regista com agrado o crescimento de associados do SPM. Foto FN/Arquivo.

O Sindicato dos Professores da Madeira realiza, a 4 e 5 de novembro, o seu XIII Congresso, no Hotel Savoy Palace, tendo por tema de fundo uma pergunta dirigida a todos os congressistas: “Haverá futuro para a Educação sem o rejuvenescimento docente?”

Em entrevista ao Funchal Notícias, o presidente considera que este Congresso se reveste de diversos aspetos inovadores e será enriquecido com a presença e partilha de conhecimentos de oradores de renome, nomeadamente o matemático do IST, o Professor Doutor Henrique Oliveira, que partilhará com a classe docente os dados resultantes da investigação feita antes da pandemia sobre o envelhecimento da classe docente e a necessidade do seu rejuvenescimento, tema central do Congresso. A este especialista, juntam-se outros que dinamizarão os trabalhos.

 

Funchal Notícias: O que fará este ano a diferença no Congresso do SPM?

Francisco Oliveira: Há várias razões pelas quais este Congresso será diferente:

  • em primeiro lugar, pela atualidade do tema do Congresso: o desgaste e o envelhecimento dos professores e a necessidade de rejuvenescer o corpo docente;
  • a expetativa e a ansiedade criada pelo adiamento deste Congresso desde maio de 2020;
  • a realização numa unidade hoteleira e não na nossa sede – o que já não acontecia desde 2013 – uma vez que temos de continuar a ter cuidado com o vírus que continua à solta;
  • a realização de uma grande Assembleia Geral, após o seu encerramento, para discutirmos a revisão dos Estatutos, que datam de 2002.

 

 

FN: Qual a situação atual do SPM em termos de número de sócios? Tem vindo a perder ou a aumentar?

F.O.: O SPM orgulha-se de ter reforçado a confiança dos professores e dos educadores, nos últimos anos. Na verdade, num período em que houve uma redução de profissionais, temos crescido, de forma regular e sustentada. Todos os meses fazemos novos sócios. Pelo contrário, as perdas, com exceção das que resultam de mortes ou de mudanças para o continente, são residuais. A imagem que os professores nos dizem ter do nosso sindicato, em geral, e da intervenção sindical, em particular, deixam-nos com vontade de fazer mais e melhor.

 

FN: Quais são os grandes desafios à vossa luta sindical?

F.O.: Por um lado, sensibilizar os nossos governantes para a gravidade de um problema que se agrava de ano para ano sem que pareçam ter noção da sua gravidade: o envelhecimento inexorável do corpo docente; por outro, manter viva a força reivindicativa dos professores e dos educadores, porque, sem luta, corremos o risco do descontentamento dar lugar ao imobilismo e ao desânimo.

 

FN: Se tivesse de dar nota ao governo regional, que avaliação faria? 

F.O.: Só me pronuncio em relação à área da educação. Se tivermos em conta que a SRE não tem manifestado abertura para resolver o problema do envelhecimento e da necessidade de rejuvenescimento do corpo docente – o problema mais grave que a educação enfrenta – não merece mais do que uma avaliação que a obrigue a submeter-se às vagas de passagem ao nível seguinte. Diria que é uma aprovação sem qualquer brilhantismo. Tem cumprido os objetivos mínimos, mas falta-lhe o rasgo de quem vê para além das tabelas de Excel, de quem encontra soluções inovadoras que fazem o mundo romper com o statu quo, de quem encontra as melhores respostas para as novas exigências. Precisa de aguardar à espera de vaga, pelo menos, um ano por se limitar a reproduzir fórmulas esgotadas.

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