«YOLO»: Sara Inês Gigante apresenta a sua 1.ª criação no Teatro Municipal Baltazar Dias

Fotos: Alfredo Matos

«YOLO» é a primeira criação de Sara Inês Gigante e «traz a amizade despejada, a distância entre gerações, a constante terapia de grupo. Três amigos ficaram sem casa e agora?» Trata-se de um espetáculo que poderá ver no Teatro Municipal Baltazar Dias (TMBD), nos dias 8 e 9 de julho, às 18 horas.

Conforme explica o TMBD, depois de ter estagiado no Teatro Nacional D. Maria II, onde participou em vários espetáculos de vários criadores, Sara Inês Gigante fez assistência de encenação a Tiago Guedes em «A matança ritual» de Gorges Mastromas, processo que se revelou decisivo para projetar o primeiro ímpeto, o desejo de autoria, o agora-sou-eu-quem-fala.

«A ideia primordial talvez seja a dificuldade que sinto em concretizar certas coisas; ou as coisas que reconheço que estão a ser muito complicadas para mim e para as pessoas da minha idade, essa construção de um futuro onde a casa própria é só um dos mil problemas. A casa acaba por ser o pretexto para falar sobre outros desafios, nomeadamente conflitos geracionais que se tornam cada vez mais evidentes, a falta de representação juvenil… É normal pensar sobre quando é que vai ser possível ter uma casa, ter filhos. No fundo, quis tocar numa série de questões que tenho sentido à minha volta», esclarece.

É a primeira vez que Sara Inês Gigante gritou ao mundo, artisticamente, embora a criadora lhe chama outra coisa: «É uma espécie de um vómito. Não se fala muito destas coisas e nisso inspirei-me bastante nas crónicas do [advogado] João Marecos, sinto que ele enquanto jovem hiper bem-sucedido tem uma consciência muito lúcida daquilo que são as dificuldades de ser jovem hoje. Se estou a sentir isto, se isto me está a ocupar a cabeça agora, se eu sou artista e quero fazer um espetáculo, é sobre isto que vou fazer. Quanto mais não seja porque há coisas que gostava de dizer ao mundo, a liderança está bastante velha, na minha opinião, a opinião está com uma massa de gente maioritariamente mais velha, é como se sentisse que estamos a ser liderados por uma geração que não é a nossa, nunca temos espaço. Enquanto jovem artista, porque não trazer isso para esta minha primeira tentativa? O que é que é meu que pode ser dos outros ou o que é que é meu que pode servir qualquer coisa para alguém?»