Património religioso degrada-se pouco a pouco vivendo das esmolinhas

Rui Marote
Na Rua do Bispo, um edifício junto ao actual Museu de Arte Sacra está em péssimas condições e já sem telhado, como documentam as fotos. Qualquer foco de incêndio colocará em risco um quarteirão antigo e as colecções museológicas. A Diocese tem um vigário episcopal para o património desde Agosto, nomeado por cinco anos, com todas as obrigações e direitos que lhe competem, devendo fazer promessa de cumprir com fidelidade o ofício.
O reverendo cónego, que também é pároco de São Martinho, tem a difícil tarefa de por em marcha a recuperação de um património que apodrece há muitos anos, e tomar decisões que tenham a possibilidade de passar do papel. Exemplificamos: – o edifício do Seminário em Santa Luzia; na Fernão de Ornelas o ex-edifício do antigo Jornal da Madeira e Rádio, que estão encerrados; o prédio da Rampa do Cidrão (novas instalações do Posto Emissor e do Jornal da Madeira); o edifício actual do Posto Emissor, na rua do Bispo, ao lado do museu de Arte Sacra, num estado de degradação que nem telhado tem., Um barril de pólvora, arriscamos, paredes meias com o museu que tem colecções artísticas muito importantes, por exemplo de arte flamenga e artefactos religiosos.
Outros mais poderíamos enumerar na área central do Funchal, que os leigos desconhecem, como na Rua das Pretas…
As doações de bens à Igreja continuam a chegar ao Paço Episcopal. Recentemente, na Rua do Quebra-Costas, uma casa e terrenos foram doados à Apresentação de Maria.
Alertamos para a capela das Babosas. O Governo Regional ajudou na sua reconstrução e o seu término continua difícil, apesar do “choradinho” aos órgãos da Região para financiar os acabamentos da capela. Na Sé, as esmolinhas das velhinhas mostram ser insuficientes para reconstruir os mictórios e WC anexos ao templo.
Temos, por outro lado, uma Igreja do Carmo a precisar de uma reforma. A continuar neste estado, a degradação será total. Aqui os Monumentos Nacionais não contemplam com verbas, como aconteceu na Sé.
O Governo Regional tem dado profusamente verbas na construção e recuperação de Igrejas. Mas até quando? Somos um estado laico, no qual coexistem outras religiões que não são contempladas por verbas e que pagam impostos à Região.
O património da Igreja Católica é grande e o ecónomo tem cinco anos para apresentar serviço, se o deixarem.