Profissionais de saúde com evidente cansaço, mas com o desafio pela frente de “melhorar a capacidade de resposta”

Incrementar a capacidade de resposta é a prioridade dos serviços, defende Rafaela Fernandes. Fotos FN.

 

Licenciada em Direito, Rafaela Fernandes chegou ao SESARAM com a experiência da advocacia, 10 anos de deputada, outros de formadora e até com trabalho desenvolvido na Investimentos Habitacionais da Madeira e Inspeção das Atividades Económicas. Foi com este percurso de uma criança apaixonada pela série televisiva “As Teias da Lei”, depois advogada, formadora e deputada que lhe deu alguma experiência para a gestão pública de uma instituição de peso como a administração hospitalar.

Foi a bagagem de 10 anos, também com serviço prestado na comissão de saúde da Assembleia Legislativa, que a tem ajudado a desempenhar as funções atuais. “Desde cedo aprendi a respeitar todos aqueles com quem trabalho, tenham mais ou menos habilitações que as minhas”, refere com voz decidida.  Habituada à prática forense e à dinâmicas dos tribunais e depois do Parlamento, ganhou tarimba e procurou fazer as coisas com gosto, procurando a realização pessoal. “Todos temos que ter respeito uns pelos outros. Há princípios básicos a ter em conta, nomeadamente o de que nada fazemos sozinhos”. Portanto, o trabalho de equipa e o respeito mútuo entre os profissionais explicam de certa forma o clima de pacificação que se vive hoje no setor hospitalar, cortando assim com uma tradição de alguma instabilidade.

Relativamente ao próximo grande desafio, “a meta é sempre melhorar e inovar no serviço público, na articulação com os nossos companheiros de viagem, que são as direções técnicas de enfermagem e direção clínica. Sabemos que o serviço público tem uma pressão muito grande, porque o contexto é diferente. É lógico quer se as pessoas têm perda de rendimento, têm de recorrer ao serviço público. Estre é o nosso grande desafio neste momento. Temos de aumentar a nossa capacidade de resposta, mesmo que isso implique uma sinergia maior com o setor privado, porque já existem exemplos desses no passado; temos de ter uma dinâmica rápida de resposta no setor social e público, porque o contexto sócio-económico é difícil. Este é o grande desafio: é preciso evoluirmos na forma de atuarmos, de podermos estar em consonância com o essencial para quem está em saúde pública, saber olhar para a frente e descobrir o que é melhor para o doente, porque a qualquer momento poder ser qualquer um de nós a estar do outro lado, numa maca ou numa cama de hospital. Há que conjugar  as sinergias dentro da instituição, com o aproveitamento máximo da capacidade instalada. Temos a felicidade de ter hoje mais médicos, enfermeiros e técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, e até de outras áreas, que reforçaram as equipas, sempre com um objetivo central: melhorarmos a nossa capacidade de resposta.”