“O Carteiro de Pablo Neruda” é um filme de 1994 baseado num livro de Antonio Skármeta. Originalmente o filme esteve para chamar-se “Ardiente Paciencia e depois Il Postino”, o que significa “Paciência ardente e depois o carteiro”.
A história do filme passa-se numa ilha italiana e retrata a amizade poética entre o poeta chileno Pablo Neruda e um jovem carteiro, Mário.
Por cá, nesta não menos bela ilha da Madeira, a história é outra. Ao contrário do diligente Mário, que desenvolve uma dedicação quase poética e obsessiva na entrega das cartas, o carteiro chega tarde e a más horas.
É preciso uma “paciência ardente” para lidar com os CTT. Não apenas nas estações dos Correios, onde é preciso esperar e desesperar para ser atendido, mas também na nossa caixa do correio porque a conta da água, da luz, do gás e do telefone não chegou a tempo.
A privatização dos CTT-Correios de Portugal foi um processo concluído em 2014, com a alienação total do capital social a privados pelo então governo PSD/CDS-PP. A primeira fase ocorreu em dezembro de 2013, com a venda de 70% das ações via oferta pública (OPV) e venda direta, completando-se o processo no ano seguinte.
Posteriormente, entre 2020 e 2021, a empresa pública Parpública adquiriu pequenas percentagens de ações dos CTT. Mas não foi suficiente para reverter o mau serviço prestado.
Costuma dizer-se que os privados prestam, em regra, melhores serviços que o público. No caso dos CTT, parece-nos que, desde 2014, aconteceu o contrário.
Tem havido relatos consistentes de atrasos significativos na entrega de correspondência e encomendas na Madeira, com situações relatadas de encomendas retidas no centro operacional do Funchal por períodos longos.
Há três grandes razões que explicam isto. 1ª) os CTT desfocaram do seu core business que é entregar cartas. 2.ª) Perderam-se noutros negócios como vender livros, abrir um banco ou tratar de reembolsos. 3.ª) Até aumentaram o número de trabalhadores entre 2014 e 216 (passaram de cerca 12.700 para 13.500) mas não para reforçar o tráfego de correio tradicional mas para impulsionar a presença ibérica e as áreas Expresso e Encomendas.
Um clássico triângulo passional que faz lembrar um outro filme de 1981 “O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes”. Coisa cada vez mais rara por estes lados. Às vezes, o carteiro nem uma única vez toca: Deixa aviso para ir levantar o que quer que seja à estação dos CTT mais próxima. E o desgraçado do cidadão lá terá de penar com o aviso na mão a fazer fila na estação do CTT para levantar a carta, a notificação, o vale postal, o que quer que seja.
Haja paciência!
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