Estepilha: não queremos exportar…

Rui Marote

O Estepilha não é de meter bilhardice na vida alheia, porque a bilhardice na Madeira é uma instituição com “licenciados” e “doutorados”, mas puxar conversa para coisas que são importantes para todos nós, lá isso o Estepilha gosta de fazer.

Tenho andado a cismar com aquela notícia de que o terminal de carga do Aeroporto do “nosso” Cristiano Ronaldo tem um tapete e uma máquina de “Raios X” praticamente do mesmo tamanho do “Raio X” por onde qualquer passageiro passa a mala de viagem. Ou seja, se um produtor ou empresário quiser mandar um atum rabilho para Lisboa, tem de cortar o bicho ao meio porque a máquina não consegue pesar mais do que 200 quilos – em média, um atum rabilho tem sempre peso superior a 200 quilos. E se um outro produto qualquer tiver de ser embalado, também não poderá ter mais de um metro de altura.

Investiu-se uma fortuna, e muito bem, na ampliação e modernização do aeroporto, mas parece que alguém se esqueceu de o preparar para o futuro. Ou, tentando entrar nos crânios pensantes dos nossos governantes, exportar produtos da Madeira por via área foi coisa que nunca lhes passou pela cabeça porque não dotaram o terminal de carga dos necessários e adequados equipamentos.

Estranho é que estamos há tantos anos a ouvir discursos oficiais de que a Madeira sempre que se virou para o exterior cresceu, de que o avião cargueiro ia salvar a economia da Região, mas afinal falta uma peça fundamental: um equipamento de “Raio X” com dimensões adequadas para não obrigar a que toda a carga com mais de 200 quilos e altura superior a 1 metro tenha de ser desmontada e pesada peça a peça.

O problema é que há muitas entidades que mandam no Aeroporto e ninguém quer assumir a despesa, mas parece que o Governo Regional vai ter que se chegar à frente. O Estepilha só não percebe é a razão de só agora este problema ser público, foi preciso esperar pelo novo secretário regional de Mar e Pescas para ficarmos a conhecer uma realidade que tanto complica uma verdadeira aposta nas exportações e dificulta a vida aos empresários.