Estepilha: vacinação “organizadíssima”, comentam os idosos

Rui Marote
Hoje numa esplanada no Funchal, teciam-se entre idosos que tinham sido chamados para a vacinação no fim de semana no Madeira Tecnopólo, rasgados elogios de satisfação pela organização.  “Está organizadíssimo”, diziam.  Há até hospedeiras para tudo, sente-se aqui, vai entrar ali,  venha para aqui, tudo num atendimento de cinco estrelas. Um discurso dissonante daqueles que apontam que a vacinação está a decorrer a “passo de caracol”.
No meio destas “hossanas” diz um velhinho: só falta  um local para tomarmos um cafezinho! Tem de haver sempre o seu quê de insatisfação no povo lusitano.
Não resisti em pedir o cartão que ostentava, e autorização para fotografar: com certeza “menino”, respondeu-me. Um elogio para quem também já está na terceira idade.
O cartão é elucidativo, ok! Mas um reparo, como madeirense e vivendo na Região Autónoma da Madeira: os responsáveis da Saúde deveriam colocar no cabeçalho o emblema da RAM. O Funchal Noticias publica o cartão de vacinação de Angola, não querendo fazer comparações…

Entretanto, e para o tratamento de quaisquer sintomas associados à Covid-19, está na moda prescrever o Ben-u-ron a torto e a direito, em detrimento de outros medicamentos semelhantes. Faz lembrar aqueles antigos slogans publicitários: “É para o menino e para a menina, para o velhinho e para a velhinha”. Está na moda prescrever Ben-u-ron® 500 mg no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus, para além da habitual sintomatologia associada a estados gripais, febre (com duração inferior a 3 dias), reacções à vacinação e dores ligeiras a moderadas (dentes, ouvidos, menstruais, traumáticas, musculares e articulares).

Quando era jovem, para enxaquecas o mais eficaz era o Optalidon, a pastilha cor-de-rosa que nas farmácias era vendida só mediante receita médica. Mas havia outros, o “Saridon” e o Melhoral.
Agora, velhinho que se preze ou potencial doente de Covid-19 anda sempre com o Ben-u-ron à sua beira…