JPP apela em “carta aberta” ao adiamento das eleições

O Juntos pelo Povo (JPP) veio hoje, por meio de uma carta aberta, apelar a um acordo de regime tendo em vista o adiamento das eleições presidenciais agendadas para o próximo dia 24 de Janeiro.

“Este nosso posicionamento já foi comunicado ao Presidente da República, Dr.  Marcelo Rebelo de Sousa, e tem por base o verdadeiro momento de excepção que estamos a viver e o respeito por todas as pessoas atingidas por esta pandemia”, diz o partido.

“Não nos parece ético que, por razões meramente políticas, se passe por cima das dificuldades de saúde, sociais e económicas que estão a atingir milhões de portugueses. Portugueses aos quais se pede confinamento e recolher obrigatório, mas depois apela-se às pessoas que ocupem as assembleias de voto e vão às urnas como se não estivéssemos em estado de emergência, e como se os números da pandemia não estivessem em níveis absolutamente alarmantes”, opinam os responsáveis do JPP.

“Se os partidos políticos têm passado por cima de tantas liberdades e garantias constitucionais, com o objectivo maior de proteger o bem maior que é a vida, não nos parece razoável, ético e nem sequer coerente, que não se tenha a mesma atitude face a umas eleições que se vão realizar no pior momento da nossa história democrática recente”.

O JPP entende que esta é uma oportunidade para “todos os partidos deixarem claro, junto dos portugueses que o que os move é realmente o interesse colectivo e a defesa do povo, e não eventuais ganhos que uma abstenção em massa possa trazer a alguns quadrantes políticos. A política tem, neste momento, a oportunidade de mostrar ao país que a sua acção é orientada por elevados padrões de defesa do interesse comum, e não rasteiros interesses partidários, mesmo numa eleição que todos reclamam ser apartidária”.

“Não sei se estão a par da dificuldade que tem sido recrutar pessoas para ocupar as mesas de voto, motivada por receios de contágio que nos parecem legítimos”, prossegue o partido. “Por outro lado, como explicar que se proíbe filhos e filhas de visitarem pai e mãe nos lares e depois permite-se que um presidente de Câmara entre nesses mesmos lares para garantir o voto a quem não vê a família há meses”.

O JPP recorda que os portugueses perderam muito com esta pandemia, nomeadamente emprego, familiares, liberdades. esperança, saúde.

“Não pode o regime político não perder, mas adiar umas eleições que não têm condições para se realizarem com a normalidade, a segurança e a calma que o ato mais nobre da democracia deve ter?”, questiona o JPP, apelando “a que cada um de nós ponha a mão na consciência”.

A missiva é subscrita pelo líder da JPP, Filipe Sousa.