rede ex aequo divulgou conclusões do combate à homofobia, bifobia e transfobia nas escolas portuguesas

A “rede ex aequo – associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, trans, intersexo e apoiantes”, lançou recentemente o seu Relatório do Projecto Educação LGBTI 2019, que consiste na realização de sessões de educação não-formal e entre pares de sensibilização sobre questões de orientação sexual, identidade e expressão de género e características sexuais. O relatório do Projecto reflecte a realidade da juventude e das escolas portuguesas a nível nacional através dos dados recolhidos durante a implementação do mesmo.

O Projecto, esclarece-se, existe desde 2005, sendo reconhecido e apoiado por várias entidades governamentais. Lançado periodicamente, o relatório espelha o resultado das sessões realizadas em escolas básicas, secundárias e universidades e outros contextos. Em  2019, foram realizadas 162 sessões, que chegaram a 9 dos 18 distritos de Portugal Continental e também à Região Autónoma da Madeira, alcançando 4.843 jovens. No decorrer das sessões, um formulário sobre a perceção da mesma, sobre o ambiente familiar e escolar é disponibilizado, tendo sido recolhidas respostas de 1.070 jovens. Um formulário é disponibilizado também a docentes e não-docentes, tendo sido recolhidas 27 respostas dos mesmos sobre as suas dificuldades sentidas relativas a questões de identidade e expressão de género, orientação sexual e características sexuais.

Os principais resultados dos/as alunos/as mostram que:

● 79% dos/as jovens já assistiu a episódios de bullying homo-bi-transfóbico;

● 86% considera importante abordar as questões LGBTI na escola;

● só 1% não acha importante abordar questões LGBTI em aula;

● 68% referiu que a temática LGBTI ou não é ou muito raramente é abordada na escola.

Os principais resultados dos/as docentes e não-docentes indicam que:

● 96% sente que estas sessões ajudam a diminuir as situações de discriminação;

● 52% considera que o sistema educativo não é inclusivo relativamente a questões
LGBTI;

● 67% reconhece necessitar de formação sobre estas temáticas;

● 30% admite não se sentir capaz de reagir a situações de discriminação homo-bi-transfóbica.

Comparando os dados com os dados do relatório anterior, algumas diferenças prendem-secom o aumento significativo de relatos de episódios homo-bi-transfóbicos por alunos/as assim como maior reconhecimento da necessidade de abordar esta temática nas escolas.

O Projecto continua a alcançar mais escolas e jovens, recolhendo também mais dados sobre o ambiente escolar e familiar de jovens nas várias regiões de Portugal. Estes reflectem uma falta de preparação sentida por parte de docentes para abordar questões de orientação sexual, identidade e expressão de género e características sexuais, assim como uma necessidade de tornar o sistema educativo mais inclusivo. As respostas indicam uma grande incidência de situações de discriminação homo-bi-trans-interfóbica em contexto escolar, uma abordagem insuficiente de assuntos LGBTI em aula e uma vontade por parte do corpo estudantil para que esta aconteça.

Notavelmente, docentes e profissionais de psicologia escolar apoiam veemente a realização destas sessões como forma de combate a situações de discriminação e como forma de educar jovens sobre diversidade e inclusão, diz a rede ex-aequo.

Tanto estudantes, docentes e não-docentes relatam uma grande satisfação com a qualidade e conteúdo das sessões e com a capacidade dos/as oradores/as do Projecto. Estes dados demonstram a importância da intervenção do Projecto Educação LGBTI nas escolas como uma componente da Educação para a Cidadania e Educação para a Sexualidade.
O relatório de 2019, assim como o anterior, encontram-se acessíveis em: https://www.rea.pt/relatorioprojetoeducacao/

A rede ex aequo é uma associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, trans, intersexo (LGBTI) e apoiantes. Desde a sua criação em 2003, procura dar resposta à necessidade de apoiar os jovens LGBTI face ao bullying, ao isolamento, à violência e ao abandono aos quais muitos destes jovens tendem a ser sujeitos. A associação conta com apoio de
diversas instituições, das quais se destaca a Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, a Comissão para a Igualdade de Género, o Instituto Português do Desporto e Juventude, a Fundação Europeia da Juventude do Conselho da Europa, entre outras entidades.