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A seleção argentina apresentou, em vários momentos, comportamentos que podem ser considerados incompatíveis com os valores educativos do desporto. A agressividade excessiva, a contestação das decisões da arbitragem, as provocações aos adversários e a dificuldade em aceitar a derrota transmitem uma mensagem negativa aos jovens que acompanham o futebol.
O futebol é um jogo físico e emocional. No entanto, intensidade competitiva não é sinónimo de violência. Existe uma diferença clara entre disputar uma bola com firmeza e utilizar força excessiva, envolver-se em confrontos ou tentar intimidar adversários e árbitros. As Leis do Jogo classificam como conduta violenta o uso de força excessiva ou brutalidade, prevendo a expulsão do infrator.
Competir não significa desrespeitar
Uma seleção nacional tem uma responsabilidade que ultrapassa o resultado desportivo. Os jogadores são observados por milhões de crianças e jovens. Os seus gestos tendem a ser imitados nos campos escolares, nos clubes e nas competições juvenis.
Quando atletas de elevada projeção:
- cercam o árbitro;
- protestam de forma agressiva;
- simulam infrações;
- provocam os adversários;
- utilizam entradas perigosas;
- recusam aceitar decisões desfavoráveis;
podem transmitir a ideia de que vencer justifica qualquer comportamento.
Essa mensagem é pedagogicamente perigosa. Um jovem pode concluir que a agressividade, a intimidação e a falta de autocontrolo fazem parte daquilo que é necessário para triunfar.
A ética também faz parte do jogo
Respeitar as regras não significa apenas evitar uma expulsão. Significa reconhecer o adversário, aceitar a autoridade do árbitro, controlar as emoções e compreender que o futebol deve permanecer dentro dos limites da competição leal.
A própria FIFA distingue entre competição legítima e comportamentos que violam os princípios do fair play. No Mundial de 2022, por exemplo, foram abertos procedimentos disciplinares relacionados com possíveis infrações por comportamento ofensivo e conduta imprópria de jogadores e responsáveis argentinos.
Este antecedente não prova que todos os jogadores argentinos se comportem sempre de forma incorreta. Demonstra, porém, que determinadas atitudes podem ultrapassar o domínio da perceção subjetiva e entrar no âmbito disciplinar.
O problema da normalização
O aspeto mais preocupante não é apenas a existência de uma falta dura ou de um protesto isolado. O problema surge quando esses comportamentos são normalizados ou apresentados como sinais de “raça”, “caráter” ou “mentalidade vencedora”.
A coragem competitiva deve manifestar-se através de:
- persistência;
- disciplina;
- capacidade de reação;
- entreajuda;
- respeito pelo adversário;
- cumprimento das regras.
Confundir coragem com violência é semelhante a confundir autoridade com intimidação. Podem parecer próximas num momento de tensão, mas representam valores profundamente diferentes.
Uma análise equilibrada
Também seria injusto ignorar os aspetos positivos da seleção argentina. A equipa demonstrou qualidade técnica, capacidade de superação, solidariedade coletiva e grande competitividade.
O problema não está na intensidade nem no desejo de vencer. Está nos momentos em que essa intensidade deixa de ser controlada e passa a traduzir-se em comportamentos antidesportivos.
Por isso, a crítica deve incidir sobre ações observáveis, e não sobre a nacionalidade ou sobre todos os jogadores de forma indistinta.
Vencer é importante, mas a forma como se compete também define o valor da vitória.
Um grande jogador não é apenas aquele que marca golos ou conquista troféus. É também aquele que respeita as regras, controla as emoções, protege os adversários e aceita o resultado com dignidade.
Assim, quando uma equipa transforma agressividade excessiva, protesto permanente ou provocação em instrumentos de competição, oferece um exemplo inadequado. O futebol deve ensinar que talento sem ética é incompleto e que nenhuma vitória justifica a violência ou o desrespeito.
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