Os vereadores eleitos pelo PSD à autarquia de Machico defenderam, esta semana e no âmbito da reunião de câmara que se realizou, a avaliação urgente da suspensão parcial, excepcional e transitória do Plano Director Municipal (PDM), visando desbloquear projectos de habitação, salvaguardar investimentos emergentes e criar condições para um desenvolvimento económico e turístico mais efectivo e sustentável no concelho.
A proposta surge da necessidade de adequar este instrumento de gestão territorial às novas realidades económicas, sociais, demográficas e territoriais de Machico, uma vez que, segundo frisa a vereação, o actual PDM foi elaborado num contexto diferente, existindo actualmente projectos e necessidades que não encontram, nas regras em vigor, um enquadramento territorial suficientemente adequado.
“O nosso objectivo é que a Câmara pudesse criar condições para responder a necessidades urgentes enquanto decorre a revisão do Plano Director Municipal mas, infelizmente, a nossa proposta não foi aceite, porque justificaram que o PDM estará aprovado em finais de Março de 2027, algo que se torna difícil de acreditar dado que o mesmo já se encontra em revisão desde 2005”, afirmam os vereadores social-democratas, lamentando que o Executivo continue a adiar e a afugentar o investimento em Machico.
“Estamos sempre a ficar para trás, enquanto outros municípios aproveitam de braços abertos os investimentos que são propostos. Embora sendo importante, não basta suspender, como dizem, apenas para viabilizar os projectos turísticos, sendo certo que tal posição acaba por ser uma viabilização parcial do documento apresentado”, insistem.
Aliás, refere o PSD, “a revisão do PDM em curso é essencial para definir, de forma estrutural e duradoura, o futuro modelo territorial de Machico, mas a sua complexidade, com várias fases técnicas, administrativas e de participação pública, levam a que não seja possível garantir, com certeza, o prazo da sua conclusão e entrada em vigor e é precisamente neste período de transição que entendemos que a autarquia tinha o dever e a obrigação de encontrar soluções para responder às necessidades mais urgentes”, acrescentando que “Machico não pode ficar parado à espera da conclusão deste processo quando existem necessidades concretas de habitação e oportunidades de investimento que podem ser relevantes para o seu desenvolvimento.”
A proposta apresentada pelo PSD assumia a habitação para a população residente, nomeadamente a habitação a custos acessíveis, como uma prioridade absoluta, com os vereadores do PSD a defender que, a par dos programas de apoio, fosse garantida a existência de solo disponível e de um quadro de ordenamento que permitisse concretizar, em tempo útil, projectos de construção, reabilitação e disponibilização de habitação.
Paralelamente ao investimento na Habitação, a proposta social-democrata pretendia criar condições para a concretização de investimentos empresariais, atividades económicas, projectos turísticos, equipamentos, serviços e infraestruturas de interesse municipal, evitando que regras desadequadas às actuais necessidades pudessem conduzir ao adiamento ou à perda de oportunidades de investimento, limitando a criação de emprego e a dinamização da economia local.
O PSD refere que a proposta rejeitada pela autarquia não defendia uma suspensão generalizada do PDM, mas, sim uma intervenção selectiva, fundamentada e temporária.
“Qualquer suspensão seria territorialmente delimitada, acompanhada de fundamentação técnica, urbanística, económica e jurídica e sujeita às medidas e procedimentos legalmente exigíveis”, explicam, deixando claro que qualquer decisão assentaria, sempre, em critérios objetivos, transparentes e orientados pelo interesse público municipal.
Para os vereadores do PSD, a eventual suspensão parcial estaria directamente articulada com o processo de revisão do PDM atualmente em curso, de modo a que as soluções transitórias adoptadas pudessem ser avaliadas e, quando justificável, integradas no futuro modelo territorial de Machico, permitindo que os constrangimentos identificados fossem ultrapassados de forma estrutural e definitiva com a entrada em vigor do novo PDM.
“Machico precisa de um PDM preparado para o futuro, mas precisa também de respostas no presente. A urgência de hoje não pode ficar condicionada por um processo que, pela sua complexidade, não permite garantir quando estará concluído. É possível e necessário encontrar soluções transitórias, rigorosas e transparentes que defendam o interesse público e permitam ao concelho aproveitar oportunidades de desenvolvimento”, concluem.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





