Albuquerque mantém críticas a Marcelo e diz que tem recebido apoios de todo o país para uma candidatura a Belém

O presidente do Governo Regional mantém tudo o que disse sobre Marcelo Rebelo de Sousa mesmo depois do Chefe de Estado ter publicado uma nota, no site da presidência, dando conta que sempre apoiou a Madeira e desenvolveu contactos nesse sentido, face às verbas reivindicadas pela Região para enfrentar as consequências das medidas de contenção da Covid-19.

Numa entrevista ao jornal Público, Albuquerque diz que “se Marcelo Rebelo de Sousa é o candidato de António Costa, não tenho dúvidas de que é um imperativo de interesse nacional surgir uma candidatura da área não socialista”.

E assume-se como candidato: “Sim. Tenho recebido inúmeras manifestações de apoio de todo o país. Mais importante do que isso é  que o debate pré-eleitoral e eleitoral das presidenciais sirva para contrariar a “ficção narrativa” de que viver em Portugal é viver no “país das maravilhas”.

Diz que Marcelo e Costa estão num casamento com comunhão de adquirido. Por um lado, Marcelo é “bengala” do governo. Por outro, Costa apoia Marcelo num segundo mandato em Belém.

A existência de um processo que o envolve num negócio imobiliário privado e a concessão, por ajuste directo, do Centro Internacional de Negócios da Madeira ao grupo Pestana, Albuquerque reafirma o que já disse: “Nunca fui notificado. Não me surpreende o momento do aparecimento desta notícia, que corresponde ao modus operandi de certos sectores da política portuguesa, para tentar intimidar as vozes incómodas que agitam o actual marasmo em que vivemos.”

Esclarece que “quer os actos de alienação do meu património, quer as decisões tomadas no quadro da lei dos contratos públicos constam de documentos públicos, acessíveis a qualquer cidadão”.

Recorde-se que esta tensão com a República subiu de tom quando foram reivindicadas, a Lisboa, medidas de apoio à Região, através da possibilidade da Madeira adiar o pagamento de duas tranches do PAEF e a alterações à Lei de Finanças para que a Região pudesse ultrapassar a capacidade de endividamento. A falta de resposta do governo de António Costa e o silêncio de Marcelo, até ontem, levaram Albuquerque a endurecer o discurso e a entrar mesmo na esfera de concorrência de Marcelo, as presidenciais de 2021, o que é entendido como uma forma de pressão e não propriamente uma candidatura para levar até ao fim, até porque muitos consideram que seria “suicídio politico”, face ao capital aquirido pelo atual Presidente da República.

Sabe-se, tambem, que as relações entre Marcelo e Albuquerque já não eram brilhantes mesmo antes da pandemia, pelo que este apenas foi o “estalar do verniz” relativamente à imagem que a parte institucional vinha mantendo e ao politicamente correto.