Nós, Cidadãos! critica falta de médicos de família na Região e interpela Pedro Ramos sobre o assunto

O partido “Nós, Cidadãos!” veio questionar hoje publicamente o secretário regional da Saúde sobre a falta de médicos de família na RAM. Dando o exemplo de Portugal continental, esta força política diz que, em 2016, havia 6 530 médicos com a especialidade em medicina geral e familiar e 2 032 pediatras (últimos dados oficiais; Fontes/Entidades: INE, PORDATA). E salienta que desde o dia 1 Setembro de 2016, em Portugal continental, todas as crianças nascidas contam com médico de família, uma medida que entrou em vigor no âmbito do projecto “Nascer Cidadão”. Quando uma criança quando nasce é logo inscrita no Registo Nacional de Utente e passa a contar com um número de utente e respectivo médico de família (por norma, o mesmo médico da mãe).

“Na Região Autónoma da Madeira, infelizmente, esta realidade é bem diferente e para pior. Em Novembro de 2017, era anunciado que no dia 1 de Janeiro do mesmo ano estavam inscritos 110.839 utentes sem médico de família nos Centros de Saúde da Madeira”, critica o partido. “Mais: os concelhos do Funchal (com 61.070 utentes inscritos sem médico de família), Santa Cruz (com 16.935) e Câmara de Lobos (com 13.624) eram aqueles que tinham maiores necessidades destes profissionais de saúde. Outro exemplo, o do Centro de Saúde de Santo António, que serve uma população de cerca de 23.400 utentes, destes cerca de 13 mil não têm médico de família”.
Mais recentemente, em Maio de 2018, “sabendo que a Madeira é uma das três regiões onde existe maior carência de médicos de família, o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque considerou “significativa” uma taxa de cobertura da
população de 70% na área da medicina familiar (deixando de fora 30% dos utentes do SRS), o que para o partido NÓS, Cidadãos! é manifestamente insuficiente”.

O comunicado emitido pelo “Nós, Cidadãos!” diz que o SESARAM debate-se actualmente com graves carências de médicos, mormente nalgumas especialidades bem conhecida (ortopedia e anestesiologia) – e que esta carência obstaculiza uma adequada recuperação das listas de espera existentes, bem como a desejável produção clínica dos serviços de saúde. Então, relativamente à falta de médicos de família, a avaliação que o NÓS, Cidadãos! faz é de que muito pouco tem sido feito pelo actual secretário regional da Saúde para minimizar esta situação.

O partido quer, pois que o secretário regional da Saúde, Pedro Ramos responda às questões de quando (e qual o montante necessário) se fará um real investimento ao nível dos cuidados primários de saúde, em específico, a contratação de mais médicos de família; qual o número de médicos de família que espera a Região captar com o novo regime de incentivos à fixação de médicos, e se o aumento da taxa de cobertura da população com médico de família é uma das prioridades da política de saúde do Governo Regional, e se o pilar da sustentabilidade da saúde deve ser a aposta nos cuidados primários de saúde, por que razão não existe nenhum Centro de Saúde, por exemplo, na cidade do Funchal, aberto até às 22h00.