Soro glicosado está em falta em todos os serviços do Hospital, mas tutela acha que não tem impacto

Depois de inúmeras faltas, eis que a listagem continua. Desta feita, o Funchal Notícias continua a ser alertado pelos profissionais de saúde para a falta de soro glicosado no Hospital Dr. Nélio Mendonça, em nenhum dos seus serviços.

Neste fim de semana, referem que nenhum dos serviços do Hospital Dr Nélio Mendonça dispõe de um produto tão banal quanto os soros. Já em tom sarcástico, aconselham a quem gere a saúde “a continuar a investir nos túneis” e a “atirar areia para os olhos do povo”, ou então, “argumentem que os fornecedores também não têm soro glicosado”.

Confrontada com mais esta falta de produto corrente no Hospital, Tânia Caldeira, assessora de imprensa do secretário regional da Saúde, informa que se trata de “uma falta sem impacto”. O FN reproduz, na íntegra, a argumentação técnica da tutela: “O Serviço de Saúde informa que não está em falta o soro glicosado nas unidades de saúde da Região. Dispomos de:
soro glicosado 5%
500cc/1000cc
soro glicosado 10%
500cc/1000cc
soro glicosado 20%
500cc /1000cc
soro glicosado 30%
500cc/30cc
soro glicosado 40%
500cc/1000cc
Existe neste momento falta deste produto em frascos de  100cc e 250 cc, o que é insignificante, porque são utilizados os frascos com maiores quantidades. Por conseguinte, trata-se de uma falta sem impacto”.

Gestão deficitária?

Para os mais diversos profissionais de saúde, no cerne destas sucessivas faltas que vão afetando a saúde na Região, estará uma gestão política e financeira indisfarçavelmente deficitária que esbarra com cabimentos orçamentais e um planeamento atempado da aquisição dos produtos para a saúde na Região”.

Ainda ontem, o FN deu conta da falta de frascos de recolha de urina para análises, a que o SESARAM reagiu como esclarecimento de que está esgotado no fornecedor. Os profissionais de saúde contra-argumentam: “É a fuga para a frente de um setor que não quer olhar seriamente para o caos em que se transformou a gestão hospitalar. Então, que fazem diretores e assessores em matéria de planeamento hospitalar para evitar ruturas de produtos de uso corrente, já para não falar de medicamentos importantes?”