Estepilha: Deixar degradar-se o que de melhor se fez na autonomia…

Rui Marote
No concelho de Câmara de Lobos há também situações de degradação do património. As mesmas não se circunscrevem ao Funchal. Enquanto se celebram os 50 anos de Autonomia, é doloroso ver que está a deixar degradar o que melhor se fez no âmbito da mesma. O Estepilha tem de colocar um pouco de humor nas situações que denuncia e por isso recorda a famosa expressão publicitária da Farinha Amparo nos anos 60 e 70: “Deu a louca…” Nesta situação, é caso para dizer que “deu a louca na Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento”.
A Sociedade é responsável pelo empreendimento das Salinas em Câmara de Lobos. O Complexo Balnear das Salinas é um espaço balnear de excelência situado na baía, composto por duas piscinas de água salgada (uma para adultos e outra para crianças) um solário, o emblemático restaurante Espada Preta, os jardins envolventes e um parque de estacionamento subterrâneo. A gestão e exploração do Complexo Balnear das Salinas estão a cargo da Junta de Freguesia e da Sociedade Metropolitana  de Desenvolvimento  de Câmara de Lobos, com o apoio da Câmara Municipal. Este espaço é propriedade da SMD, entidade que intervém na manutenção e reabilitação da infraestrutura.
Mas o restaurante Espada Preta, com uma vista soberba sobre o mar, situado no âmbito do complexo, encontra-se encerrado e ao abandono há vários anos. A degradação do espaço está bem patente. Fixado nos vidros, está um dístico informando “estamos em remodelação, abriremos a partir de 1 de Abril de 2026”. Uma verdadeira peta! O restaurante continua encerrado e muito degradado.
Entretanto, os elevadores de acesso às piscinas (ver fotos) estão com lixeira à porta, e encontram-se paralisados há anos, ferrugentos, sem botões de comando… É património destruído. O parque de estacionamento subterrâneo, que iria servir todo este complexo situado nos jardins de São Francisco de Assis, e que foi construído em 2006 está encerrado há anos, para dar lugar a um projecto global  (para quando) de reabilitação urbana e remodelação da frente marítima da cidade.
Com tanta falta de estacionamento, está numa degradação total. Subverter uma obra pública que até está premiada internacionalmente é de um absurdo enorme. Na Madeira tudo parece possível e nunca há responsáveis. Já vimos gente demitir-se por menos…
Recordemos que o responsável por este projecto, inaugurado em 2004, foi o arquitecto madeirense Paulo David. Em 2008 foi distinguido internacionalmente e venceu o prestigiado galardão europeu Rosa Barba European Public Award integrado na V Bienal Europeia de Arquitectura Paisagística de Barcelona e outros galardões:
Prémio FAD – Arquitectura Ibérica: Vencedor na categoria de Arquitectura Exterior (Salinas)
Prémio Internacional de Arquitectura em Pedra (Verona): Vencedor, destacando a utilização de pedra e a integração com o meio marinho (Salinas)
Prémio Internacional da Pedra na Arquitectura “Marmomacc”: Vencedor da 42.ª edição, em Padova (Salinas)
Prémio Europeu de Espaço Público: Projecto finalista (Salinas)…
Prémio Enor: Projecto finalista, com o Complexo das Salinas…
Estepilha! Se isto não é suficiente para que se dê atenção àquela obra, o que será?

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