Rui Marote
Estepilha, não bastou o estado de degradação da Fortaleza do Pico, local onde decorreu a cerimónia oficial dos 50 anos da Autonomia e 40 anos a integrar a União Europeia, com a presença do mais Alto Magistrado da Nação, António José Seguro.
Sempre críticos, voltamos à carga para denunciar que os três símbolos Bandeira da Região, Bandeira da CEE e o Estandarte Nacional foram oficialmente ignorados.
O protocolo falhou e na Fortaleza do Pico a cerimónia decorreu sem qualquer bandeira digna desse nome, tirando as representações das mesmas que se viam num cartaz.
É sempre uma preocupação, quando se realiza uma cerimónia oficial (até nos Partidos): há sempre alguém a chamar atenção, “não esquecer as bandeiras”. Porque são símbolos importantes.
A Fortaleza do Pico foi construída no início do século XVII para proteger a cidade do Funchal contra os corsários e piratas e nessa altura tinha bandeiras de sinalização. O hasteamento de bandeiras específicas no topo da fortaleza indicava o número e a direcção das embarcações suspeitas que se aproximavam da baía. Havia outras formas de comunicação: colunas de fumo (de dia). Enquanto não caía a noite, adicionava-se vegetação verde ou molhada às fogueiras para gerar uma densa cortina de fumo, visível a quilómetros de distância. fachos e fogueiras (à noite): Os vigias mantinham materiais inflamáveis (como lenha e pinhas) prontos no topo. Ao avistarem navios inimigos, acendiam grandes fogueiras conhecidas como fachos. A luz do fogo era o sinal imediato para a população fugir para o interior ou se armar.
Este paralelismo histórico que o Estepilha apresenta é preciso e irónico. Desta vez, não houve bandeiras, nem mastros, nem fumos, nem fachos. Quatro séculos depois, o mesmo espaço foi palco oficial de um evento, onde, falhando o protocolo, as bandeiras institucionais foram totalmente ocultadas, contrastando directamente com a própria história e propósito de comunicação visual do monumento.
O Estepilha já não pode recomendar a compra do livro de protocolo na Casa Figueira, que ficava na Rua dos Ferreiros, porque esta encerrou já nos finais dos anos 70, do autor H. de Mendonça e Cunha “Regras do Cerimonial Português”.
Enfom, não houve bandeiras mas a cerimónia encerrou com a execução do Hino da Região Autónoma e do Hino Nacional, valha-nos isso em termos protocolares.
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