Pintura centenária com buracos na capela da baía de Câmara de Lobos

Fotografias agora divulgadas revelam o estado preocupante de conservação das telas existentes na Capela de Nossa Senhora da Conceição, na baía de Câmara de Lobos.

Este edifício, com origens no final do século XV, foi reconstruído em 1702 e alvo de sucessivas campanhas de restauro entre 1723 e 1908.

No seu interior encontram-se obras dos pintores Nicolau Ferreira (1791) e Luís Bernes (1908). A capela encontra se classificada como imóvel de interesse municipal desde 1993.

Hoje, essas mesmas obras apresentam sinais evidentes de degradação, incluindo destacamentos da camada pictórica e perfurações, carecendo de avaliação técnica urgente por especialistas em conservação e restauro.

Para o PS, património esquecido é património perdido. O partido diz que denunciou publicamente na Assembleia Legislativa da Madeira, durante a discussão do Orçamento Regional para 2024, a necessidade salvaguarda e conservação do património cultural e ausência de estratégia para a sua conservação e valorização.

Voltou a denunciar, em 2025, a inércia do Governo Regional quanto à salvaguarda e conservação do património. E, pelo que as imagens hoje demonstram, em 2026 a inércia mantém‑se.

Segundo o PS, a classificação de interesse municipal não exonera nenhuma entidade pública das suas responsabilidades, muito pelo contrário, implica deveres acrescidos de proteção e salvaguarda.

O Município de Câmara ds Lobos, a Região Autónoma e as entidades com tutela patrimonial partilham essa responsabilidade, sobretudo quando estão em causa bens de reconhecido valor histórico e artístico.

“O património não desaparece de um dia para o outro. Desaparece lentamente, perante a indiferença de quem tem o dever de o proteger.
A pergunta impõe-se: quanto património terá ainda de se degradar até que as entidades responsáveis atuem? A defesa do património não pode resumir se a discursos comemorativos”, remata.


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