Greve dos médicos a 80% na Madeira visa “alertar para problemas” e “acabar com promessas e palavras vãs”

Lídia Ferreira
Lídia Ferreira, do Sindicato Independente dos Médicos revela que a greve está nos 80 por cento na Madeira.

A greve dos médicos, na Região, ronda os 80 por cento de acordo com números avançados pelo Sindicato Independente dos Médicos, que aponta algumas especialidades a 100 por cento, outras a 50 por cento e outras a 80, sendo que, por exemplo, o bloco operatório só não registou adesão na totalidade porque ocorreu uma cirurgia do foro oncológico. Nas consultas, os registos também são elevados, excetuando algumas relacionadas com determinadas especialidades.

Lídia Ferreira, do SIM, considera que esta paralisação “foi uma forma que encontrámos de chamar a atenção para os problemas que afetam o sector. Esta luta dos médicos é enquanto técnicos, que estão no terreno e sabem as falências do sistema. E nesse sentido, pretendem alertar para as situações que precisam ser alteradas. Enquanto não se ouvirem os técnicos das diferentes áreas, enquanto não forem avaliados os problemas que não têm propriamente a ver com uma Legislatura, não se conseguem fazer mudanças eficazes, gasta-se muito mais dinheiro e de uma forma pouco produtiva. Temos que chamar a atenção para isso”.

A greve, para a responsável sindical, visa “fazer com que as pessoas pensem sistematicamente nas coisas, tentem amadurecer algumas ideias”, mas há quem defenda que o modelo, de paralisações parcelares por zonas do País, não agrada aos médicos. Lídia Ferreira concorda, mas compreende a formula adotada que tem como objetivo viabilizar um debate por zonas do País, chamando a atenção para cada especificidade dentro da globalidade que é a luta por um objetivo, que por sua vez tem um momento alto com a paralisação única nacional a 8 de novembro”.

Na perspetiva do SIM Madeira, é preciso encarar a situação na globalidade, mas pensando nos problemas específicos de cada região, porque “o País é muito mais do que Lisboa. E estas greves em dias diferentes possibilitam falar sobre o assunto de forma mais abrangente e sistemática. A greve não visa criar transtorno, mas sim alertar para situações que, na opinião dos médicos, não estão bem e que são extremamente importantes. É preciso acabar com esta onda de promessas e palavras vãs. Temos que falar seriamente sobre os problemas da Saúde”.