Ricardo Franco quer que Ricardo Sousa explique envolvimento no processo “Apito Dourado”

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Ricardo Franco pede explicações ao candidato social democrata Ricardo Sousa sobre o seu eventual envolvimento no processo “Apito Dourado”.

A candidatura do Partido Socialista à Câmara de Machico diz-se “surpreendida” face à existência de documentos que, segundo Ricardo Franco, foram  “depositados, anonimamente, na caixa de correio da Sede do PS-Machico”, alusivos ao candidato do PSD, Ricardo Sousa, no âmbito do processo “Apito Dourado”.

Esses documentos incluem, segundo a candidatura socialista, “uma notícia do DN de 24 de Fevereiro de 2006, onde refere o envolvimento do candidato do PSD no caso de corrupção do apito dourado”. A notícia aponta eventuais contactos entre António Henriques e Ricardo Sousa, no final de um jogo Machico-Sacavenense, sendo que na altura Ricardo Sousa integrava os corpos dirigentes da A.D.Machico, era primeiro secretário da Assembleia Geral do clube.

A posição de Ricardo Franco, o atual presidente da Câmara e candidato do PS, vai no sentido de que esta “é, de facto, uma situação surpreendente, que diz bem do caráter do candidato Ricardo Sousa, e que vem na linha daquilo que foi dito pelo presidente do PSD Madeira Miguel Albuquerque, aquando da apresentação do candidato do PSD à Câmara de Machico, que “Ricardo Sousa em tudo o que se mete consegue os seus objectivos”. “Tanto consegue”, reforça Ricardo Franco, que “não olha a meios para os atingir, recorrendo a processos pouco ortodoxos, deixando a nu a sua desmesurada ambição, trilhando caminhos tortuosos e altamente censuráveis, numa lógica do vale tudo, tal é a ânsia e a fome de protagonismo e de poder”.

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Ricardo Sousa, candidato do PSD à Câmara de Machico está na mira das acusações socialistas sobre o “Apito Dourado”.

Face a esta situação, a candidatura do PS Machico “desafia o candidato do PSD Ricardo Sousa a explicar, à população de Machico, os contornos do seu envolvimento no escândalo de corrupção desportiva “Apito Dourado”, que deu azo à notícia do DN, na sequência das escutas promovidas pelo Ministério Público e que despoletou toda esta incrível situação, que passou completamente despercebida da grande maioria das pessoas”.

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Esta imagem da notícia do DN Funchal intregra os documentos que a candidatura à Câmara de Machico divulga.

Recorde-se que o processo “Apito Dourado”  foi despoletado a 20 de Abril de 2004 com a detenção de vários dirigentes e árbitros de futebol, registando-se o envolvimento de Antínio Henriques, que foi conselheiro do CA entre 98 e 2005. Uma notícia do PÚBLICO, de 2008, dava conta que “o Tribunal de Gondomar condenou hoje o árbitro Martins dos Santos a 20 meses de prisão e António Henriques, ex-elemento do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, a 28 meses de cadeia, mas ambos com pena suspensa. Em causa estava a prática do crime de corrupção desportiva no âmbito de um jogo entre o Marítimo e o Nacional, da época 2003/2004”.

No dia 3 de junho de 2010, o DN Funchal noticiava que “todos os 16 arguidos do processo de alegada viciação de classificação de árbitros de futebol nas épocas de 2002/03 e  2003/04 foram ilibados pelo colectivo de juízes da 2.ª vara do Tribunal Criminal de Lisboa”. Entre os absolvidos, diz o DN, “encontra-se o madeirense António Henriques, então vice-presidente do Conselho de Arbitragem, que não escondeu a satisfação por finalmente ter visto o seu nome limpo, conforme referiu ontem, em declarações do DIÁRIO. “Nem imaginam a satisfação que sinto. Estou mesmo imensamente feliz e a minha primeira declaração terá de ser de reconhecimento para a categoria do colectivo de juízes. Dizem-se cobras e lagartos da justiça portuguesa, mas esta é a prova de que efectivamente existe boa justiça em Portugal.”