Professores descontentes pelas verbas que têm ainda a receber de escolas profissionais na Madeira

O FN foi informado por professores e formadores que, a poucos dias do arranque do novo ano lectivo 2017/2018, existem escolas profissionais que ainda não conseguiram pagar-lhes pela prestação de serviços nos anos lectivos anteriores.

Este é apenas mais um motivo de insatisfação, entre as muitas que já afligem a classe docente, e que provavelmente, como ainda ontem afirmou o coordenador do SPM, Francisco Oliveira, não será ainda em 2018 que verá as suas carreiras serem descongeladas, situação em que se encontram já há oito anos.

Conforme apurou o FN, entre as escolas profissionais que ainda não pagaram aos docentes pelos supracitados serviços prestados, contam-se a Escola Profissional Cristóvão Colombo, a e a Escola Profissional Atlântico, além da APEL. “A justificação transmitida”, referem os docentes que falaram connosco, “é que em causa estão os atrasos no desbloqueamento de verbas por parte do Fundo Social Europeu (FSE)”. Mas há professores que questionam também o que consideram ser a “gestão duvidosa de algumas escolas”, aquando do recebimento de verbas para determinados projectos, “que posteriormente são utilizados para fazer face a dívidas anteriores originando a impossibilidade no pagamento daqueles que contribuem para a formação de alunos”.

Com a entrada do novo programa operacional denominado MADEIRA 14-20, segundo deram conta a este jornal online, os problemas agravaram-se e os estabelecimentos de ensino anteriormente referidos desde essa altura que não conseguem pagar. Professores e formadores receiam não reaver os valores em falta, que em alguns casos ultrapassam os 10.000,00 euros.

“Até quando esta situação será sustentável?”, questionam. Poucos são os que este ano lectivo estarão dispostos a aceitar leccionar sem receber. Consequentemente, algumas escolas profissionais poderão arrancar o ano lectivo sem profissionais suficientes para garantir o ensino, advertem-nos os docentes insatisfeitos.

Uma docente lamentou-nos: “A mim e aos meus colegas resta acreditar que um dia iremos receber o que temos por receber”. Os professores gostariam que o secretário regional da Educação interferisse, de modo a acelerar o desbloqueamento de verbas junto das escolas em causa. “Sou professora no público, e orgulho-me da minha profissão. Dei aulas numa escola profissional durante um ano e ainda não recebi pelas 150 horas investidas. Por isso venho demonstrar o meu descontentamento”, refere.