O relatório preliminar da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) já é conhecido. Segundo Carlos Pereira, vice-presidente do grupo parlamentar do PS, a capitalização “pelos mínimos”, decidida pelo anterior governo do PSD/CDS, liderado por Passos Coelho, e pelo Banco de Portugal, é a grande responsável para ter sido necessária uma nova injecção decidida pelo executivo socialista, reza um comunicado.
No documento, apresentado hoje em conferência de imprensa na Assembleia da República, o parlamentar socialista elege mesmo essa como a primeira das razões que motivaram a capitalização decidida em 2016 já pelo executivo de António Costa. A isto, acresce a utilização de CoCos (um empréstimo do Estado que em certas condições pode transformar-se em capital detido pelos cofres públicos); a crise do subprime em 2008; a política do BCE e o apertar das exigências regulatórias.
Carlos Pereira, relator da comissão, realçou que a “crise económica e financeira” dos últimos anos “mostrou a importância” de se ter um banco com capital 100% público “para ajudar a reforçar a estabilidade do sistema financeiro”.
A questão do crédito malparado é também referida pelo deputado, que define esta matéria como “um dos maiores desafios do sistema financeiro português”.
O socialista realçou que o banco público “está em pleno funcionamento”. Considerou, ao mesmo tempo, que esta comissão de inquérito “é singular”, num momento de “pressão permanente”, inclusive noticiosa, sobre Caixa.
O relator da comissão lamentou, porém, a “recusa” de instituições como a CGD, as Finanças ou o Banco de Portugal em fornecerem documentação aos deputados, embora tenha reconhecido a “complexidade” da comissão, cujas conclusões dos trabalhos estão “definitivamente marcadas por factores externos à questão do objecto do inquérito”.
“Não vale a pena tapar o sol com a peneira. Esta comissão de inquérito foi muito atribulada”, admitiu.
Os partidos podem apresentar propostas de alteração ao relatório final da autoria de Carlos Pereira até a próxima segunda-feira. O texto será votado e discutido a 18 de Julho.
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