Crónica Urbana: Os vendilhões do templo

Rui Marote
É tudo farinha do mesmo saco. Judas traiu Jesus por trinta dinheiros…
A nossa ultima crónica, intitulada “JM” negoceia suplemento religioso com a Diocese, é verdade verdadinha, e podemos adiantar que um suplemento religioso da responsabilidade  da Diocese do Funchal está na forja, com textos de jornalistas escolhidos por quem manda nesta Diocese.
Mais informamos que há a intenção de publicar o Jornal da Madeira juntamente com a edição do JM. Os temas religiosos no JM serão feitos pelos jornalistas da redacção, informam-nos.
Enfim… meditamos que ninguém pode estar a bem com Deus e o diabo ao mesmo tempo, ao relembrar que tudo isto acontece sob a batuta de um novo director que outrora era um dos responsáveis por dar pancada no jornal da Diocese… Mas parece que isso nada interessa às autoridades religiosas.
Não querendo dar lições bíblicas, transcrevemos um texto do Novo Testamento que assenta que nem uma luva nestas negociatas:

Jesus visitou o Templo de Jerusalém, o Templo de Herodes, cujo pátio é descrito como repleto de animais e mesas dos cambistas, que trocavam o dinheiro padrão grego e romano por dinheiro hebraico e de Tiro. A cidade estava cheia de judeus que tinham vindo para a Páscoa, milhares de peregrinos.

Fez um chicote com algumas cordas e  «…expulsou a todos do templo, as ovelhas bem como os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai uma casa de negócio.» (João 2:15-16). E declarou que está escrito: “A minha casa será chamada casa de oração;vós porém, a fazeis covil de salteadores“.

Como é possível a Diocese embarcar nestes produtos envenenados? Há um ditado: “Quando a esmola é muita o pobre desconfia”. A procissão ainda vai no adro  e a verdadeira história da venda do JM a privados está por contar. Nós só temos levantado a ponta do véu. Resta dizer, com uma pequena alteração: “Senhor não lhes perdoes, porque sabem o que fazem”… E já agora, citando António Aleixo:

“E o povo nada conhece…
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo — o bom doutrinário”.