Diz-se que os jovens estão afastados da política, será verdade?

Pelo mundo inteiro temos provas de que os jovens são os principais motores das mudanças políticas! Nos tempos recentes, os exemplos dos jovens que iniciaram a Primavera Árabe e os jovens que iniciaram os protestos pela democracia em Hong Kong e as centenas de jovens que nos dias de hoje lutam pela democracia e liberdade na Venezuela são expoentes máximos da importância e impacto das comunidades jovens nas políticas nacionais. Também na Europa todos os anos temos exemplos de movimentos juvenis e estudantis que impactam directamente a política nacional e até Europeia. Em Portugal, ainda todos nos lembramos dos protestos da “Geração Rasca” contra as propinas no ensino superior ou mais recentemente das mega manifestações contra as políticas de austeridade organizadas por membros da intitulada “Geração à Rasca”.

Apesar de toda esta actividade cívica e política desta geração, todos os partidos políticos parecem concordar na ideia de que os jovens estão afastados da política. Apresentam como factos deste afastamento a dificuldade que todos eles têm em recrutar militantes mais jovens, a dificuldade que têm de ter novos quadros e até a dificuldade que têm em levar estes jovens a votar. Como podem estas duas realidades contrastantes existir na mesma sociedade? Esta é a pergunta de 1 milhão de euros que nenhum partido parece interessado em responder. Para mim, não foram os jovens que se afastaram da política. Foram as organizações políticas e os seus lideres que se afastaram dos jovens!

A irreverência dos jovens vem da sua crença de que podem mudar o mundo! Essa sua irreverência torna-os verdadeiros agentes de mudança por tudo onde passam e é disso que os partidos e organismos políticos se afastam! Os partidos e os seus líderes ao contrário do que frequentemente afirmam têm medo da mudança porque sabem que essa mudança pode significar que eles acabem por perder os lugares que tão facilmente se acomodaram.

Por outro lado, como dizia a Apple num antigo spot publicitário “são aqueles que são loucos o suficiente para pensar que podem mudar o mundo, que realmente o fazem”. Assim sendo, mais cedo ou mais tarde, os nossos partidos políticos terão que se abrir realmente aos jovens. Abrir-se não é, como até os dias de hoje, ter jovens para abanar bandeiras e fazer barulho em momentos eleitorais. Abrir-se é envolver os jovens no processo de decisão, é ouvir e acolher realmente os jovens e as suas ideias e propostas. Abrir-se é ter muitos mais jovens em cargos de decisão, principalmente em áreas de governação directamente relacionadas com a juventude e deixando de ter sempre as mesmas caras, por exemplo, na Assembleia Legislativa da Madeira. Abrir-se é não ter limitações de idade (encobertos com outros princípios) como a legislação que impossibilitou a nomeação de Bruno Rebelo de Sousa para presidente do IVBAM.

Para concluir, depois de um mês que me colocou no meio de um turbilhão político com o anúncio da minha recandidatura à Junta de Freguesia do Monte e com a minha eleição para Secretário-Geral do CDS-PP Madeira, desafiando todas estas probabilidades que falamos antes, eu quero desafiar a minha geração a se envolver muito mais na construção do bem comum. Eu conheço as coisas que não gostam e que vos afastam dos partidos e das organizações partidárias, mas as coisas mudam-se por dentro! Lembrem-se disso e lembrem-se da força de vontade que cada um de vós tem em construir uma sociedade melhor e envolvam-se nesse objectivo, independentemente da cor da bandeira que escolham! Façam-se ouvir e melhorem a organização que venham ou já tenham escolhido para pertencer! A democracia será quanto melhor, quanto melhor forem as diversas soluções alternativas! Essa é a melhor forma de celebrarmos o 25 de Abril, que festejamos recentemente, e de honrarmos a memória de todos aqueles que lutaram pela nossa liberdade!

O autor deste texto escreve segundo o antigo acordo ortográfico da Língua Portuguesa