Madeirenses redescobrem contrastes étnicos dos Balcãs na XXI Rota das Comunidades

Há viagens e grupos inesquecíveis. O denominador comum é sempre a paixão pela descoberta do mundo, como que se o reencontro na diversidade enchesse o olhar e a alma. Não há Índias por desvendar mas há certamente muitas histórias e imaginários por desvelar.

É este o espírito que move um grupo de duas dezenas de madeirenses que há 21 anos se reencontra para, na Páscoa, viajar mundo fora, visitando e revisitando ao longo de duas semanas as mais heterogéneas mundividências culturais.

“Na Rota das Comunidades” foi o nome de batismo deste “voo” anual pelo mundo. Hoje, a XXI viagem faz-se aos Balcãs, um verdadeiro mergulho na diversidade étnica e nas sequelas do pós-guerra da península balcânica. Uma paleta de etnias, rituais, usos e costumes que está a deslumbrar os madeirenses que desfrutam da Sérvia, da Croácia, da Macedónia e de tantos outros pontos da geografia do sudeste europeu.

Parte do grupo de madeirenses nos Balcãs.

Durante o dia, o percurso é regrado e apertado. Há que cedo erguer para tudo encher a alma numa contemplação ora perplexa ora inebriada. Fátima Marques, a dinamizadora destas viagens, relata ao FN uma experiência multifacetada. Por um lado, ressalva que há belezas só para contemplar.

Fátima Marques exalta os contrastes de Belgrado.

Para descrever? O território não é desconhecido destes assíduos viajantes. Mas Fátima Marques explica que o conhecimento é sempre novo e faz-se de uma súmula de contrastes deste mundo novo, assim resumido pela nossa interlocutora: “Os bósnios não podem ver os sérvios por causa do genocídio em Sebernica; os sérvios acusam-nos do mesmo; a Sérvia é ortodoxa; a Bósnia é muçulmana; a Macedónia saiu sem guerra; a Croácia goza de melhor saúde pois está amparada pela União Europeia e mantêm o seu catolicismo… Enfim, uma história que se conta a várias vozes, com revoltas e guerras. São os dramas de uma década, a de noventa, feita de luta, sangue e emancipação”.

É este mundo de diferença que solicita o olhar do viajante numa eterna redescoberta de gente e lugares marcados pela diversidade. Depois, depois regressar à ilha com a alma carregada de emoções e aprendizagens indizíveis.