Cais da cidade volta a ter vida

 

Rui Marote

A sala de visitas e de lazer dos madeirenses volta ao activo.
Aqui desembarcatram Carmona, Craveiro Lopes, bispos, cardeais e outras personalidades do Mundo. Daqui partiram milhares de madeirenses para o Brasil e Venezuela. Recordo as lanchas Gaivota, D. Lúcia, Mosquito, D. Carmina, Machiqueira, Tigre, Milano e nos anos setenta, Pirata Azul para o Porto Santo. As lanchas entretidas no seu vai-vem, transportando turistas e madeirenses que emigravam, para os navios ancorados ao largo da baía do Funchal.


Aos domingos e feriados, o cais era o lugar de lazer dos madeirenses, transformado em “picadeiro”, numa autêntica passarelle.
Muitos namoros, muito piscar de olhos ocorriam… alguns chegaram a casamento. O carrinho de amendoim com o seu apitinho, os tremoços e mais tarde a lambeca do Caldeira faziam o entretenimento de miúdos e graúdos.


As lanchas desapareceram, assim como toda a frota costeira. Hoje o lazer é outro. Temos as Vespas, os bares da poncha e o bolo do caco que era atractivo em arraiais, abunda por todos os lados. Os tempos são outros, e o tempo não volta para trás, como cantava António Mourão.
Tudo isto recordei esta manhã ao verificar que a APRAM lentamente vai arrumando a casa, autorizando a utilização das escadas de cantaria do cais do Funchal, na zona Este, para embarque e desembarque do iate turístico Bonita da Madeira, que recebia os turistas junto ao ilhéu da Pontinha para viagens às Desertas, e ao longo da costa. O iate passará muito em breve a utilizar o cais da cidade.


Esta manhã assistimos a testes de amarração do “Bonita”, para colocação de novas argolas fixadas no cais, trabalhos ajustados com uma empresa de consultores de engenharia.
Não estando presente ninguém da APRAM, tal leva-nos a pensar que os custos dos trabalhos que de imediato entraram em acção são da responsabilidade da empresa Bonita da Madeira, não onerando os Portos.


Estão em princípio reunidas condições para que as empresas que desenvolvem estas actividades turísticas estejam juntas, embora a nova marina tenha muitas lacunas. Mas Roma e Pavia não se fizeram num só dia.