Detalhes da vida de uma médica: “Colocar tudo numa mala de 20 kg não foi fácil”

Susana Baptista de Almeida é atualmente médica interna de Oncologia Médica. Como muitos, frequentou os dois primeiros anos do curso de Medicina na Universidade da Madeira, antes de completar a sua licenciatura em Lisboa.

Desses anos, guarda memórias e experiências que a marcam como pessoa e profissional.

O FN partilha aqui o seu testemunho. Um relato de quem, no sentido inverso, sentiu na pele a dura e já longa realidade dos alunos insulares, na sua conquista por uma licenciatura no continente.

“O sonho de ser médica é tão antigo quanto a minha memória permite retroceder. O meu percurso académico sempre foi trilhado por vitórias, mas por duas vezes, não entrei no tão ambicionado curso.

Desistir e encarar a possibilidade de assumir uma carreira alternativa podia ter-se tornado uma realidade, mas não aconteceu.

Foi então que em setembro de 2009 recebo a notícia que tinha entrado na 1ª fase de acesso ao Ensino Superior no Ciclo Básico do Mestrado Integrado em Medicina na Ilha da Madeira. Felicidade? Muita! Inquietude? Mais ainda.

Nunca tinha ida à Ilha da Madeira e colocar tudo numa mala de 20 kg para cumprir um grande objetivo de vida não foi fácil. Mas, como desistir nunca foi uma possibilidade, encarei os 24 meses de estudo, antes de integrar a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, como uma enorme e única experiência de vida.

O que fui encontrar? Amizade, companheirismo, colegas que, tal como eu, deixaram a família e amigos no continente para abraçar um projeto de vida.

O espírito vivido na Universidade da Madeira (UMa) é único. Colegas madeirenses, professores e todos aqueles com os quais privámos permitiram que o percurso académico se tornasse único. O curso, lato sensu, é constituído por aulas teóricas em videoconferência direta com a faculdade de Medicina em Lisboa e por aulas práticas lecionadas por professores habitantes na Ilha.

Se foi fácil? Não. A possibilidade condicionada pelo mar de visitar a família e os amigos tornou o trajeto mais tortuoso, mas devo a estes 24 meses na Ilha da Madeira a realidade de me levantar todos os dias para fazer aquilo que sempre sonhei.”