Uns a pé, outros de moto

Rubina ilustração
Quando for para acelerar em direção às autárquicas… Ilustração de José Alves

Sabe-se que a Câmara Municipal do Funchal é a “caixa forte” das autárquicas. Sabe-se que o PSD-Madeira está a apostar na reconquista como baluarte local para defender eventuais conotações e leituras regionais que possam advir dos resultados. Sabe-se que a atual liderança camarária definiu uma estratégia, colocou-a no terreno e tem andado a desenvolver um trabalho de proximidade que, assim à primeira vista, não deixa margem para grandes dúvidas quanto aos resultados práticos, havendo por isso elevados riscos para a máquina “laranja” nesta aposta que vai fazer e a exigência de um grande trabalho de “recuperação” pela frente. E o momento da decisão é já ali.

O que não se sabe é a razão da demora no anúncio do candidato social democrata, ou melhor, da candidata social democrata, que todos já sabem quem é mas está a ser difícil sair o nome da Quinta Vigia. Quinta Vigia, não, porque é a sede da presidência e ali não há confusões entre partido e governo, não se misturam as coisas assim de levezinho, não é como antigamente. Pelo menos foi o que disseram e a gente acredita. Rua dos Netos melhor dizendo. Ou, cinquenta, cinquenta, porque compreende-se que Albuquerque não vai sair da Quinta Vigia só para tratar de umas coisas do PSD e aqui também pode resolver alguma coisa de governação. Se fosse para levar à letra, não se trabalhava. É verdade que também não se confundia. Enfim, coisa de somenos importância em comparação com outros valores que se levantam neste ano autárquico.

Perante algumas dúvidas, a ilustração de José Alves, que damos a conhecer neste espaço, veio trazer alguma luz ao problema e às dificuldades. Não é que a imagem sugere que, para combater Paulo Cafôfo, que como se sabe prescinde às vezes do carro oficial para circular de moto, ainda que já prescindisse mais, porque nesta fase é de carrinho que aquilo vai, o PSD-M pôs a possível candidata, Rubina Leal, a andar a pé? Não podia dar outra coisa que não seja chegar atrasada. Se fosse só para a passadeira, vá que não vá, mas quando o outro modelo já vai acelerado…

A avaliar por este cartoon, bem conseguido, não podemos dizer que haja boas intenções ali pelo meio. É verdade que Rubina Leal é mulher para calcorrear muitos quilómetros sem se cansar, é aquilo a que no atletismo se pode chamar de “corredora de fundo”, mas não podemos concordar mais com aquela expressão que o povo dizia antigamente “uns dias a pé, outros a cavalo”, para explicar que a vida corre aos soluços, normalmente em situações ligadas à saúde. Neste caso, relaciona-se com a diferença de condições que às vezes são dadas a diferentes candidatos a uma qualquer posição, sendo por isso necessário adaptar essa expressão para “uns a pé, outros de moto”, no concreto a caminho da Câmara do Funchal. Se houver trânsito, a candidata pode equilibrar, mesmo que hoje a situação esteja numa “passerelle” de indefinição, agora se a estrada estiver livre, a pé não vai chegar, é preciso passo de corrida e mesmo assim pode não dar. E além disso, não tenhamos dúvidas, quem precisa correr mais atrás do prejuízo é o PSD e uma motinha podia ajudar numa corrida que nem se sabe se chegaria a tempo se fosse com Ferrari.

Ainda falta algum tempo e temos que compreender que, nesta envolvência que tem a ver com escolhas para as câmaras, o PSD-M anda numa roda viva. E se fosse para dar motos a todos os candidatos, a ver se chegam a tempo, seria melhor talvez abrir um stand, pelo menos era provavelmente mais barato, tal a necessidade. Era mais barato que barcos e aviões, lá isso de certeza.

Só que há lugares onde não podemos ir de moto.

Para desanuviar desta “tensão”, aqui fica, para dar um “ar de graça” à “graça” que a vida tem, mesmo a vida política, um pequeno “cheirinho” de Luís de Camões:

Descalça vai para a fonte

Leonor pela verdura

Vai formosa e não segura”….

Claro que, por estas alturas, os desafios já estarão lançados. E só fica descalço quem quer…seguramente.