Na Galeria Anjos Teixeira, à Rua João de Deus nº 12, no Funchal, no próximo dia 16 de Abril, pelas 19h, realizar-se-á uma nova iniciativa no âmbito da programação “História com Estórias – Memórias de um Povo” na qual estará em debate outro dos factores marcantes da cultura regional, os “telhados com cobertura de “Palha”,
“Colmo”, “Restolho” são termos correntemente utilizados na ilha para designar coberturas constituídas por elementos vegetais. Vítor Mestre, no seu exemplar livro, “A Arquitectura Popular na Madeira”, utiliza preferencialmente a palavra “palha” e é essa que irá ser seguida, refere nota da galeria Anjos Teixeira.
No início do povoamento a utilização deste tipo de cobertura foi largamente
predominante, mesmo na cidade do Funchal, sendo então quase inevitável atendendo à falta de alternativas. Posteriormente, os telhados de palha continuaram a ser uma presença constante, nos meios rurais e até nos aglomerados urbanos, sendo que, por exemplo, apenas em 1839, as “posturas” de Câmara de Lobos proibiram o seu uso nas casas da vila.
Presentemente, este tipo de telhado tornou-se uma atracção turística, algo folclórica, no concelho de Santana, mas não é líquido qual seja o seu grau de utilização, sendo patente que a este respeito predomina o silêncio, como se nada existisse.
Numa clara e simples demonstração de que os telhados de palha continuam a fazer parte da vida madeirense, haverá a apresentação do depoimento da Dra. Luísa Nunes, advogada, mas também agricultora na freguesia de S. Jorge, que recentemente instalou um telhado de palha na construção que possui nos seus terrenos.
Contando agora com a colaboração de um dos executantes desse telhado, serão explicadas quais as condições para actualmente se recorrer às fibras vegetais e à forma e razões para manter uma tradição que foi tão ampla na Ilha da Madeira.
Ao contrário daquilo que ocorre no resto do país, poder-se-á vir a concluir que, na Madeira, continuam a existir profissionais que se dedicam a esta actividade que se mantém atuante e se justifica por motivos estéticos e turísticos.
Tratando-se de uma primeira e quase inovadora abordagem, apreciar-se-ão
também as condições para que seja mantida esta tradição, para além do caso da Comarca Municipal de Santana.
Esta iniciativa faz parte da programação da Galeria Anjos Teixeira, que assinala neste ano os 50 anos da Autonomia.
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