O secretário regional da Economia afirmou hoje que os apoios públicos concedidos às empresas têm também um efeito directo na contenção dos preços, ao ajudarem a evitar que os aumentos dos custos com os combustíveis sejam repercutidos no consumidor final. A garantia foi dada na conferência promovida pela Madeira Parques Empresariais (MPE), integrada nas comemorações do 25.º aniversário da empresa pública, tutelada pela Secretaria Regional de Economia.
Na sua intervenção, no Salão Nobre do Governo Regional, José Manuel Rodrigues referiu que o apoio às empresas é também uma forma de proteger as famílias e a economia regional, numa altura em que os custos de produção continuam a ser pressionados pela conjuntura internacional.
José Manuel Rodrigues lembrou que o Governo Regional accionou instrumentos de apoio ao funcionamento das empresas e aos transportes, os últimos com um valor de 9 milhões de euros, para mitigar o impacto da subida dos combustíveis. Segundo disse, o objectivo é permitir que as empresas absorvam esses aumentos sem os transferirem para os preços finais.
“Os apoios que concedemos a essas empresas vão no sentido de elas poderem acomodar o aumento do preço dos combustíveis sem o repercutirem no preço do consumidor final”, insistiu, salientando que isso contribui para travar a inflação.
O secretário regional de Economia destacou ainda o papel da Madeira Parques Empresariais ao longo das últimas duas décadas e meia, considerando que a entidade tem sido determinante para o ordenamento do território, a qualificação dos espaços produtivos, a coesão territorial e a criação de emprego.
Na ocasião, anunciou também que a Secretaria Regional de Economia vai promover um estudo aprofundado sobre o impacto dos parques empresariais na economia local e regional, para avaliar de forma rigorosa o contributo destas infraestruturas para a criação de riqueza, emprego e dinamização territorial.
José Manuel Rodrigues diz que o papel do Governo não é substituir-se às empresas, mas criar condições para que estas possam investir, crescer e prosperar, através de estabilidade, confiança, simplificação administrativa e instrumentos de apoio ao investimento.
A conferência reuniu representantes da banca, de entidades públicas e do tecido empresarial, num debate centrado no financiamento e no crescimento das empresas.
Gonçalo Pimenta, presidente da MPE destacou a evolução positiva da Madeira Parques Empresariais nos últimos 25 anos, sublinhando o aumento da ocupação dos parques, o número de empresas instaladas e o impacto directo na criação de emprego e na dinamização da economia regional. Defendeu que é preciso reforçar soluções de financiamento mais ajustadas às microempresas e lançar um crédito diferenciado para projectos estratégicos, sobretudo nos parques da Costa Norte e no Porto Santo, apelando à banca para acreditar na economia madeirense e nos investimentos que aí estão a ser desenvolvidos.
Rui Guedes da Silva, director comercial e da Direcção de Empresas Norte da Caixa Geral de Depósitos, enfatizou a proximidade da Caixa Geral de Depósitos às empresas madeirenses e sublinhou que o banco quer continuar a apoiar o tecido empresarial com soluções de crédito, factoring, seguros e instrumentos ajustados às necessidades de cada negócio. Salientou ainda a importância dos critérios ESG (Environmental, Social, and Governance), da digitalização e da relação de confiança entre banca e empresários, afirmando que a Caixa Geral de Depósitos reforçou recentemente a sua estrutura de apoio empresarial na Região para estar mais próxima dos clientes e responder melhor ao investimento.
Já Pedro Carvalho, director da Unidade de Gestão de Negócios do Crédito Agrícola (CCA) sublinhou o papel do CA como banco de proximidade, com forte presença nas micro e pequenas empresas, e destacando a importância da cooperação entre banca, entidades públicas e Madeira Parques Empresariais para facilitar financiamento e apoiar o crescimento empresarial. Referiu que o banco dispõe de liquidez e capacidade para apoiar projetos de investimento e expansão, defendendo soluções ajustadas às necessidades das empresas madeirenses e reforçando o compromisso de estar mais próximo do tecido económico regional.
Luís Pereira, diretor coordenador da Direcção de Dívida e Banca de Investimento do Banco Português de Fomento (BPF), sublinhou a nova dinâmica do BPF, destacando o reforço do apoio às empresas através de garantias, capital e dívida, com impacto também na Madeira e nos Açores. Referiu que o banco quer estar mais próximo do terreno, identificar necessidades com os parceiros locais e apoiar projetos estruturantes e de exportação, defendendo que a confiança nas empresas e a mobilização de instrumentos financeiros adequados ajudam a reduzir risco, melhorar o acesso ao financiamento e acelerar o investimento.
Paulo Rios, administrador executivo da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, destacou a importância da AICEP como parceira das empresas na internacionalização e na captação de investimento, sublinhando que a Agência atua “atenta ao mercado”, prestando apoio na escolha de mercados, na preparação das empresas, no contacto com parceiros e no acompanhamento da execução dos projetos.
Acrescentou que a Madeira tem potencial para crescer sobretudo em nichos de valor, na área digital, dos serviços e da agroindústria, e salientou que os parques empresariais são instrumentos relevantes para fixar talento, atrair investimento e reforçar a coesão territorial.
A rematar o encontro, Ricardo Faísca, presidente do Instituto de Desenvolvimento Empresarial (IDE) destacou o papel deste instituto como organismo coordenador dos apoios ao setor secundário e terciário, sublinhando que a Madeira está a receber uma forte dinâmica de investimento e que há um volume elevado de candidaturas em curso.
No que toca às novidades de financiamento público, salientou a nova linha “reindustrializar” para a Madeira, com 41,4 milhões de euros, e a abertura iminente de 10 milhões de euros para inteligência artificial, explicando ainda que o apoio imediato às empresas na atual conjuntura energética deverá passar pela linha nacional de 600 milhões também acessível às empresas madeirenses, enquanto os incentivos a fundo perdido, anunciados recentemente, serão activados depois, através de novos avisos do Madeira 2030 e do PRR.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.






