Obra cara da variante ao centro do Caniço levanta dúvidas sobre os seus benefícios reais

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Fotos DR.

A construção da empreitada da nova variante ao centro do Caniço tem suscitado algumas dúvidas junto da população local. Por um lado, há quem questione sobretudo os benefícios públicos efetivos deste investimento dispendioso e, por outro, os grandes constrangimentos criados no trânsito de quem pretende aceder ao Caniço.

Esta obra tem o seu historial. Remonta ao tempo das grandes empreitadas assinadas por Alberto João Jardim. Mas que ficaram pelo caminho devido à intervenção da troika em Portugal e ao Plano de Ajustamento Económico e Financeiro para a Madeira. O atual Governo Regional decidiu retomar, quatro anos após uma paragem, esta construção, em concordância com as autoridades de Santa Cruz, com o objetivo primordial de, não só servir o concelho, mas sobretudo a população da Camacha, que assim fica com um acesso mais rápido e direto à via rápida, pelo Caniço de Baixo.

O investimento que já custou três milhões de euros é, no entanto, visto, com algumas dúvidas por parte de certos habitantes no Caniço. Por um lado, alegam que esta intervenção dispendiosa do Governo não se justifica porque vai ter um benefício muito residual, já que o grosso do trânsito se faz em direção ao centro do Caniço – justamente no sentido oposto ao da variante em construção – onde estão sediadas as grandes infraestuturas que demandam a procura da população, tais como escolas, bancos, Igreja, unidades hoteleiras, entre outras.

Por outro lado, referem ao FN que, o volume de viaturas que, neste momento, sai do centro do Caniço em direção à esquerda, rumo à Camacha e outras zonas, é muito reduzido e talvez não justifique o gasto de dinheiros públicos nesta construção que poderiam ser melhor aproveitados em bens de primeira necessidade para a população.

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Quanto aos constrangimentos provocados no trânsito a quem acede diariamente ao Caniço tendem a continuar. Todos compreendem que não há obras sem condicionalismos e a execução tem decorrido de forma correta e segura. Mas a questão parece residir noutro ponto: justifica-se estes transtornos à população, quando a grande pressão demográfica é feita em direção ao centro do Caniço?

Uma questão que não é certamente consensual mas que, na ótica do Governo Regional, justifica a sua intervenção numa perspetiva de servir a população das zonas periféricas do Caniço.