Lagoa do Jardim Municipal apresenta “Aqui há rato!”

(Foto Rui Marote)
(Foto Rui Marote)

* Com Rui Marote

Uma nova “atração” no Jardim Municipal do Funchal está a dividir opiniões. Há quem ache piada aos intrépidos “nadadores” com bigodes. Outros, nem tanto.

A cena é, no mínimo, insólita. E teria todos os ingredientes para ser cómica, se não estivéssemos a falar da baixa citadina do Funchal.

Em plena prime zone cosmopolita, onde o turista se mistura com os locais e o bulício do quotidiano se enreda nos mais representativos marcos do património edificado e cultural, acontece o inimaginável, digno de ficção.

Não fora as imagens retidas pela objetiva do repórter do FN, poderíamos até pensar tratar-se de um filme. Ratazanas, de tamanho considerável, movimentam-se com desembaraço, à luz do dia, na zona do Jardim Municipal. É que não dá para passar despercebido.

A lagoa parece ser um dos locais prediletos dos roedores que revelam surpreendentes capacidades de locomoção dentro de água.

(Foto Rui Marote)
(Foto Rui Marote)

O espetáculo é gratuito e tem vindo a repetir-se ao nascer dia e ao final da tarde.

Enquanto os turistas se divertem e fotografam as pestes malabaristas, os taxistas da zona mostram-se indignados com o descuido e os riscos inerentes à presença destes roedores numa zona muito frequentada.

A autarquia funchalense, a entidade que tutela o espaço, é o alvo das críticas. Alguns profissionais de táxi lamentam a falta de investimento da Câmara na manutenção destes espaços verdes icónicos da cidade.

No caso do Jardim Municipal, reclamam por uma operação de controlo de pragas e por uma melhor assistência aos patos do lago. Nem sempre, alegam, o alimento disponibilizado pela autarquia é em quantidade e frequência devidas, levando os taxistas a trazer de casa pão duro, como forma de atenuar as alegadas falhas.

(Foto Rui Marote)
(Foto Rui Marote)

A atual praga de ratos é apontada como uma consequência do relaxamento nos controlos de limpeza e desinfestação. Chegam a ser mais de uma dúzia, segundo os relatos de quem acompanha a situação.

Na lagoa do Jardim Municipal, os roedores não se inibem nos dotes de natação e nas investidas aos demais inquilinos do espaço. Fazem dezenas de metros em alta velocidade dentro de água e, esta semana, já terão devorado dois patos recém-nascidos.

“Uma autêntica vergonha”, alegam as testemunhas diárias deste cenário. Em jeito de brincadeira, há quem avance com uma possível razão para tamanho descuido da edilidade. “O rato não faz parte do Jogo do Bicho”.

O Estepilha, por seu turno, desconfia que estará na forja uma inédita produção cénica, dada a proximidade ao Teatro Municipal Baltazar Dias. “Aqui há rato!” não ficaria mal.