Quando a velhice é sinónimo de prisão e abandono

Ilustração: José Alves
Ilustração: José Alves

Há um tema que invariavelmente incomoda muita gente; falar dos seus idosos com Amor. Tudo porque cheira a velho, a doença, a gastos, a canseira e a falta de tempo e paciência para ter com eles, a eterna paciência que tiveram connosco.

Por isso, não é de admirar que a Comandante da Polícia de Segurança Pública da Madeira tenha feito, na Assembleia Legislativa, na passada sexta feira, o aviso à navegação: a Madeira tem a mais alta taxa de violência doméstica contra os seus idosos. Pois é, quase que nos atrevemos a acrescentar: hospitaleiros para com os de fora, cruéis com os de dentro. O FN não pode passar ao lado desta matéria e abordará este drama nas suas diferentes valências, sabendo desde já que, quem mais destrata os idosos é quem menos diríamos que o fazem. Neste mundo do prazer e da busca de constantes novidades, os velhos só atrapalham as carreiras, as viagens e os projetos. Se estão em casa, incomodam; se estão nos lares, que se ocupem com os novos companheiros; se estão no hospital, deixá-los no corredor.

Nem todos tratam mal os idosos e queremos acreditar que a maioria dos madeirenses tem a sensibilidade para reservar a indispensável ternura a esta gente frágil e desprotegida, cujo único pedido que faz é a companhia e o amor no fim da vida. A ilustração de José Alves é arrepiante mas real: sim, há muitos idosos trancados em quatro paredes de abandono porque outros valores mais altos se alevantaram. É a absurda recompensa por uma vida inteira de mimos e desvelos aos que agora lhes dedicam o isolamento. Como quebrar as correntes desta cadeia? É uma missão de todos nós.


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